Pelo diálogo o inicio do filosofar: Um entendimento para refletir com alunos do 6,º 7º e 8º ano do Colégio Novo Horizonte

Diálogo: do grego – dia (=através); logos (=palavra).

Para o filósofo Sócrates, o diálogo era a ferramenta da maiêutica (seu método de filosofar, também entendido como pergunta e resposta). Em outras palavras, chegar ao verdadeiro conhecimento por meio da palavra.

Neste método do diálogo não aparece a figura de um mestre que comunica algo ao discípulo, mas mestre e discípulo se apresentam como participantes que juntos procuram algo, e que ao mesmo tempo o encontram. Aqui está a explicação para o hábito de Sócrates muito perguntar e pouco ou nada responder.

Para Sócrates todo o conhecimento já está no interior do homem, mas esse encontra-se adormecido, e é Sócrates, o filósofo, que o desperta, por meio de perguntas “intrigantes”. Ao mesmo tempo, mostrava para si mesmo e aos seus discípulos que quanto mais achava que sabia algo, mais percebia que precisava saber mais.
Como o filósofo Sócrates fazia filosofia em praça pública?

 Algumas curiosidades: Sócrates costumava caminhar descalço e não tinha o hábito de tomar banho. Em certas ocasiões, parava o que quer que estivesse fazendo e ficava imóvel por horas, meditando sobre algum problema. Certa vez o fez descalço sobre a neve, segundo os escritos de Platão, o que demonstra o caráter enigmático da figura Socrática.

A filosofia no dia a dia de Sócrates

Diferentemente dos outros filósofos pré-socráticos, que se dedicavam à contemplação da natureza, a maior paixão de Sócrates era conversar (atividade diferente de falar) com as pessoas. Justamente conversava com todos os que passavam na praça pública. O assunto? Sobre o conhecimento do homem, sobre si mesmo e sobre as virtudes, tais como a sabedoria e a justiça.

Os filósofos pré-socráticos de sua época se afastavam do convívio com as multidões. Sócrates, ao contrário, procurava estar com as multidões, fazia isso para poder conversar, filosofar com as pessoas. Filosofava nas ruas e praças. Frequentava as festas e os banquetes de sua época, e onde houvesse uma oportunidade de dialogar (=por meio das palavras) com quem quisesse conversar com ele, lá estava presente.

Nesse aspecto Sócrates, um filósofo do diálogo, era uma figura solidária e humana. Filosofar para ele não era uma aquisição, nem uma profissão, mas um modo de viver. Ele praticava o filosofar no dia a dia, a todo instante e em qualquer lugar.

Deixou um grande ensinamento como forma de vida, o filosofar como algo que qualquer um de nós pode fazer. E continua alertando que: Todos somos filósofos!

2. Podemos hoje afirmar, tendo o conhecimento de Sócrates, que em nossa turma fazemos filosofia quando conversamos, discutimos e investigamos sobre assuntos do dia a dia?

Quando Sócrates iniciava um diálogo com quem quer que fosse, não queria ensinar nenhuma doutrina, pois apenas perguntava. Costumava conversar com as pessoas que diziam ter algum tipo de conhecimento para ensinar, e então começava a perguntar bastante (método da maiêutica).

Gostava de iniciar conversas com os filósofos sofistas, que visitavam constantemente Atenas em busca de alunos que queriam desenvolver a oratória.

Os sofistas vangloriavam-se de ser capazes de ensinar qualquer assunto e responder qualquer pergunta a quem quer que fosse. Embora anunciassem tais pretensões, quando começavam a dialogar com Sócrates, não era preciso esperar muito para que eles próprios percebessem que suas ideias eram contraditórias e que suas afirmações eram simples opiniões, improvisadas para fazer efeito diante dos ouvintes. Não eram capazes de suportar a análise de alguém que buscava sinceramente as verdades últimas a respeito do homem e da vida humana.
Sócrates nasceu em Atenas por volta do ano 470 a. C.. Era filho de uma parteira, Fenarete, e de Sofronisco, homem bem relacionado nos meios políticos da cidade. Como não deixou obras escritas, tudo o que se sabe de sua vida e de suas ideias é o que foi relatado sobre ele por Platão e Xenofonte. Segundo palavras de Cícero, “Sócrates fez a filosofia descer dos céus à terra”. Sócrates dizia que a filosofia não era possível enquanto o indivíduo não se voltasse para si próprio e reconhecesse suas limitações. Conhece-te a ti mesmo era seu lema . Para ele a melhor maneira de abordar um tema era o diálogo: por meio do método indutivo que denominou “maiêutica”. Um exemplo clássico da aplicação da “maiêutica” é o diálogo platônico intitulado Mênon (Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações LTDA. Rio de Janeiro, 1999).

  1. Sócrates filosofava dialogando com as pessoas. É possível em nossa C.A.I., pelo diálogo, fazermos filosofia, valendo-nos de regras para uma boa discussão e diálogo? Agora é hora de escrevermos e justificarmos quais regras são essenciais para que possamos filosofar bem durante o 7º ano:Quando Sócrates encontrava, nas praças públicas, com quem conversar, não levava em conta fatores como a natureza social ou econômica, seu “faro fino” guiava-o. Com um agudo senso de oportunidade educativa, ajudava as pessoas que dispunham de condições necessárias para ser iniciadas no processo da ironiae da maiêutica.
    Sócrates usava esses dois procedimentos para despertar o senso crítico de seus ouvintes.

Maiêutica (palavra grega – Maieutikos – que significa “agir como parteira”) era o método que consistia em dar à luz a uma nova ideia ou conceito, por meio do questionamento. Por exemplo: questionar o que é a coragem, e, a partir da resposta, fazer outra pergunta, explorando os erros ou a falta de clareza da resposta. Assim, por outra pergunta se conserta a resposta e depois se procura mais falhas, e assim indefinidamente.

Ironia é o método de não levar a sério um conceito ou valor, dizendo exatamente o oposto do que quer dizer. Por exemplo: dizer “que ótima ideia!”, quando na verdade acha a ideia ridícula.

Sócrates usava esses métodos para chamar a atenção de seus ouvintes para um fato: eles não sabiam o que achavam que sabiam. Apenas tinham ideias formadas sem reflexão. Portanto não sabiam nada. Já Sócrates sabia pelo menos isso: que nada sabia.

Abria-se a todo aquele que demonstrasse abertura e receptividade para a realização do processo de autoconhecimento e não cobrava nada por isso. Exemplo está no diálogo Mênon, em que Platão descreve Sócrates realizando a maiêutica como um escravo, levando-o a conceber noções difíceis a respeito da matemática. Pois para Sócrates um processo bem conduzido leva a pessoa a ter acesso às mais importantes e difíceis questões científicas e, principalmente, ao verdadeiro conhecimento.

Afirmava com sinceridade que nada sabia. Assim Sócrates, logo de início, desarmava seu interlocutor e encorajava-o a expor suas opiniões e seus pontos fracos. Por meio das perguntas, colocava ora um, ora outro conceito, até que a pessoa percebia-se em conflito e que já não poderia prosseguir. Assim, embaraçada, a pessoa percebia que não sabia o que julgava saber e que apenas cultivava pré-conceitos. A partir daí, Sócrates podia guiá-la para o caminho do verdadeiro conhecimento, fazendo com que extraísse de si mesma a(s) resposta(s).
A filosofia no dia a dia de Sócrates não era o da simples discussão ou do discurso para convencer, mas uma filosofia da interrogação. Partia de ideias gerais, aceitas por todos, e depois, conduzindo a conversa por meio de questionamentos, fazia o outro descobrir por si mesmo o que desejava saber. Vemos que essa filosofia viva de Sócrates, pelo diálogo, mostra que uma palavra, qualquer que seja, tem tantos sentidos quantos homens a pronunciam.

  Fazer filosofia como Sócrates, partindo das ideias gerais, levava o outro, pelo diálogo, a aprofundar-se no conhecimento e a descobrir por si mesmo. Essa forma de fazer uma filosofia viva é possível aqui em nossa C.A.I.? Como?

Sócrates comparava sua forma de filosofar pelo diálogo ao trabalho de sua mãe, que havia sido parteira. Ele comparava a pessoa que queria dialogar a uma gestante em trabalho de parto. Ele próprio, Sócrates, era a parteira, que, dialogando, fazia a pessoa entrar em contradição flagrante a respeito de concepções sobre as quais, consciente ou inconscientemente, fundamentavam suas vidas. No momento em que o interlocutor percebia a série de ilusões fundamentais em que sua vida normalmente se baseava, Sócrates então o comparava ao nascimento. Daí para frente ele poderia ser ajudado a crescer como um novo homem.

A célebre frase atribuída a Sócrates – “só sei que nada sei” – pode ser re-escrita hoje para nós que buscamos uma filosofia viva com e pelodiálogo do seguinte modo: “quanto mais eu sei, mais percebo que preciso saber mais…”
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