Professor Correia

Parafraseando o pensamento da professora Layane  a respeito  dos dias vivenciados com os índios  Ka ´apor na aldeia Turizinho, uno  às minhas suas belíssima e sábias  palavras  , obviamente com um olhar diferenciado daquilo que outrora imaginava sobre a vida e a rotina em uma  comunidade indígena, eu,  juntamente  com a referida estudante do  curso de Ciências Sociais e os demais professores, temos muito a contar sobre esses oito dias de trabalho na aldeia,  com certeza todos , assim como quem vos fala, confrontou o real com o imaginário. Entre tantas coisas percebidas  nesse pouco tempo vivenciado na primeira alternância, há muito o que se falar, entre essas, a união, o respeito, o comportamento e o estilo de vida desapegado das coisas materiais, são de  uma popularidade invejável, sem falar  nas práticas dos valores éticos tão discutidos na sociedade, entretanto, substituído pelos vícios da corrupção, me refiro aos objetos pessoais , pode-se colocar em qualquer uma das dependências do alojamento e lá permanece o tempo que for preciso, pois os nossos parentes Ka´apor não tocam em nada de ninguém, hábitos ruins não faz parte do cotidiano dessa comunidade, o que é melhor, dorme-se de portas e janelas abertas sem nenhum perigo ou preocupação.

O texto aqui apresentado na primeira pessoa da conjugação verbal, talvez não tão bem concatenado às ideias do pensamento que hora quis expressar, resulta daquilo que verdadeiramente presenciei. Veja abaixo a fonte de inspiração que bem utilizei

Layane Sousa -Acadêmica do curso Ciências Sociais

Leia a  Reflexão  da Estudante do Curso de Ciências Sociais Professora Layane Sousa de Oliveira

Para participar de uma experiência desta é preciso com certeza abrir mão de conforto em troca de profundidade na experiência. No meu caso, o cansaço da viagem longa logo se dissipou e deu lugar á excitação e curiosidade pelo novo, pelo desconhecido.

A minha fala sempre presente, deu lugar ao silêncio. Eu não estava ali para falar, mas sim para ouvir. Ouvir com os ouvidos e também com o coração, ouvir as palavras ditas, mas principalmente aquelas não ditas.

Incrível como o excesso de tecnologia, de luzes e ruídos da cidade grande, dita desenvolvida rapidamente consome nossa energia e dissipa nossa atenção e a verdadeira presença. Foi assim que eu me senti ali, a presença. O sentido e o significado do estar presente, é algo que só a experiência revela, pois não pode ser traduzido em palavras.

E algo que me marcou, é que o povo Ka’apor não tem o hábito de se olhar no espelho. A maioria pareceu nem ter espelho, e ficou claro que se contentam com o reflexo da própria imagem nas águas do rio.

E aquele dia percebi que eu também não havia me olhado no espelho desde que chegara ali. Refleti sobre como me olhar no espelho naquele contexto no qual a aparência era tão secundária, não me fez falta. Então conclui enquanto sociedade, o quanto estamos doentes e os sacrifícios que fazemos, o dinheiro que investimos, o valor que damos só às aparências. Cuidamos tanto do nosso exterior que deixamos o interior adoecer.

E foi aí, neste espelho metafórico, que eu percebi um dos segredos da vitalidade, da força, da luta, da resistência Ka’apor: o interior deles é forte, saudável porque é para dentro que eles olham quando sonham, quando tomam suas decisões, quando seguem o ciclo da vida.

Os Ka´apor surgiram como povo distinto há cerca de 300 anos, provavelmente na região entre os rios Tocantins e Xingu. Talvez por causa de conflitos com colonizadores luso-brasileiros e com outros povos nativos, iniciaram uma longa e lenta migração que os levou, nos idos de 1870, do Pará, através do rio Gurupi, ao Maranhão. Colonizadores brasileiros que atacaram e aniquilaram aldeias Ka’apor, por volta de 1900, ficaram surpresos ao descobrirem esplêndidos cocares de penas coloridas dentro de pequenos baús de cedro, que os sobreviventes, em fuga, teriam deixado para trás. Quando as autoridades brasileiras tentaram ‘pacificá-los’ pela primeira vez, em 1911, os Ka’apor, como os Nambiquara no Mato Grosso, eram considerados um dos povos nativos mais hostis no país . Tal pacificação, tanto dos Ka’apor quanto dos karaí (não índios), ocorreu em 1928 e durou por quase 70 anos. Recentes invasões da terra dos Ka´apor pelos Karaí, entretanto, ocasionaram novas hostilidades e estão colocando a sobrevivência étnica dos Ka´apor novamente em risco. A população atual é de aproximadamente 800 indivíduos.

São um povo agricultor, dependendo da mandioca-brava, que é consumida principalmente na forma de farinha. Armazenam frutos e caçam cervos-do-pantanal, porcos-do-mato, pacas, cutias, jabutis, jacarés, mutuns, queixadas, bugios, jacus, aracuãs e inhambus.

Texto de autoria da Professora  e Acadêmica  Layane Sousa de Oliveira, do curso de Ciências  Sociais da Universidade Estadual do Maranhão-UEMA, Polo  Santa Luzia do Paruá-Programa Ensinar  

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui