Ontológico: significado, história e o argumento ontológico

As dúvidas existenciais fazem parte do pensamento ontológico há centenas de milhares de anos.
A propósito, você já deve ter ouvido esta frase: “Penso, logo existo”.
Ela foi proferida pelo filósofo René Descartes na primeira metade do século 17 – e é um marco na ontologia.
Mas, apesar de ter nascido na antiguidade, esse conhecimento se mantém bastante atual e ainda complementa algumas outras áreas das ciências humanas.
Com o coaching, por exemplo, temos uma metodologia que pode explorar conceitos e noções dessa área do saber.
Se você está querendo saber um pouco mais sobre a história da ontologia, seus principais expoentes e o seu significado, certamente vai gostar deste artigo.
Boa leitura!

O que é ontológico?

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Ontológico é tudo aquilo que deriva da ontologia.
Esse é um adjetivo que se relaciona diretamente com as noções de existência, realidade e natureza do ser.
Ou seja, está vinculado com questões existenciais.

O que significa ontologia?

Ontologia é uma palavra que deriva do grego e é composta pelo termo “ontos”, que significa “ser” e “logia”, que quer dizer “estudo”.
Logo, podemos dizer que, em uma tradução livre, o termo pode ser definido como o “estudo do ser”.
Na prática, é mais ou menos isso mesmo.
Ela é uma área da metafísica que, ao contrário de ciências como a teologia e cosmologia, por exemplo, é uma ramificação geral e não específica.
Ou seja, ela se ocupa de temas mais amplos e abrangentes a respeito da existência e da natureza humana.
Se a teologia se preocupa com a relação de Deus com as pessoas, enquanto o universo e a cosmologia se relacionam com a origem do mundo, a ontologia bebe de ambas as fontes.
O filósofo alemão Christian Wolff criou uma definição interessante para o termo. Ele a denominou como filosofia primeira ou básica.
Vale ressaltar que, de uns tempos para cá, a ontologia se desvinculou um pouco da metafísica e passou a ter uma relação mais direta com a visão de mundo das pessoas e suas especificidades.
Em outras palavras, as diferentes interpretações sobre a realidade passaram a ganhar força, não existindo certo ou errado, melhor ou pior.
Cada um tem o seu ponto de vista sobre determinado assunto, baseado em sua bagagem de experiências trazidas ao longo da vida.
O termo ontologia também é usado no direito para explicar a razão de ser de uma lei específica, por exemplo.
Já na computação, é empregado para categorizar e codificar informações em grupos ou classes.

Sinônimos de ontológico

Por ser parte integrante unicamente da metafísica durante muito tempo, o termo ontológico foi muitas vezes usado como sinônimo de metafísico.
No entanto, essa é uma forma equivocada de classificar a palavra tema deste artigo.
Para substituir o conceito por outro termo sem perder o seu sentido real, é preciso fazer uma relação com a teoria investigativa do ser.
Por exemplo: reflexão sobre o ser, estudo do ser, doutrina do ser, ciência do ser e teoria do ser são expressões que podem ser usadas dentro desse contexto sem prejuízo ao seu significado.

O que é um argumento ontológico?

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Os argumentos ontológicos são todos aqueles que defendem a existência de Deus.
Eles são chamados também de prova a priori.
Ou seja, um tipo de alegação que não tem sua verificação prática comprovada.
O teólogo Anselmo Ramón foi o primeiro de que se tem registros a citar um argumento ontológico.
Ele teria dito que, se o maior ser possível existe no imaginário das pessoas, ele também deve existir na realidade.
Com o passar dos tempos, a fundamentação teórica de Ramón passou a ser contestada.
Uma das principais críticas a ela foi feita por David Hume.
Segundo ele, não há comprovação empírica de que Deus existe. Logo, não se pode forçar a sua existência.
Immanuel Kant, por sua vez, definiu essa ideia como falsa premissa, alegando que a existência não é uma qualidade de algo.
Deus, uma ideia de um ser perfeito, pode ser concebido sem que necessariamente ele exista.
Depois, Kant criou uma nova definição para argumento ontológico.
Segundo ele, toda e qualquer premissa que se preocupa com o ser deve ser considerada uma prova ontológica.
Já o filósofo australiano contemporâneo Graham Oppy, em sua obra “Ontological Arguments and Belief in God”, dividiu os argumentos ontológicos em sete categorias.
Vamos a elas:

  • Definicional: aqueles que procuram definir algo com clareza
  • Conceitual: implementam certos tipos de ideias e conceitos
  • Modal: consideram diferentes possibilidades
  • Meinongian: apresentam as distinções entre as diferentes formas de encarar a existência
  • Experimental: defendem a existência de Deus para aqueles que experimentaram a sua presença
  • Mereológico: estabelecem as relações entre as partes envolvidas
  • Hegeliano: são os argumentos considerados ontológicos por Georg Hegel.

Quais as diferenças entre ontológico, deontológico e epistemológico?

Como vimos, o termo ontológico está bastante ligado à Filosofia.
Mas ele não é o único.
Frequentemente, você vai encontrar os conceitos deontológico e epistemológico também presentes nesse tipo de contexto.
Por isso, é muito importante saber distinguir cada um deles.

  • Ontológico: estuda a existência do ser e sua natureza
  • Deontológico: se dedica aos conceitos de moral, amoral e imoral. Trabalha a moralidade das atividades humanas perante as regras e leis estabelecidas em diferentes contextos e situações
  • Epistemológico: é mais um ramo da filosofia e se propõe a explicar as relações entre o que é crença e o que é verdade. Estuda a intersecção desses dois campos, que podemos chamar de conhecimento.

O que quer dizer ontologia na Filosofia?

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O conceito de ontologia foi sendo alterado com o passar dos anos na Filosofia, assim como aconteceu com as premissas do argumento ontológico.
Em um primeiro momento, ela era usada para tentar explicar a existência de Deus.
Depois, passou-se a tentar delimitar fatores que pudessem ajudar a criar critérios para que entidades abstratas pudessem ou não ter sua comprovação concreta.
Por entidades abstratas, estamos falando não apenas de Deus, mas também de outros conceitos que, ao contrário dos seres humanos, dos animais, das flores e de objetos físicos, não se tenha a certeza da existência.
Ou seja, algo que não seja palpável ou identificado por qualquer um dos sentidos do homem.
Assim, aos poucos, a discussão a respeito do ser começou a migrar para campo das ideias e os dilemas do mental e do físico.
Como os processos mentais podem ser ser concebidos fisicamente se a sua existência não é comprovada?
Esse foi um problema ontológico que povoou o imaginário dos filósofos por muito tempo.

Filósofos ontológicos

O nascimento da Filosofia se confunde com a criação da ontologia.
Por isso, os primeiros registros de pensamentos ontológicos nascem na Grécia, berço dos pensadores da Antiguidade.

Parmênides

Ao que tudo indica, Parmênides foi o primeiro a se dedicar às reflexões ontológicas.
Seu poema “Sobre a natureza e sua permanência” dá início ao estudo sobre o tema.
Em seu texto, a natureza do ser é abordada, bem como os conceitos de realidade.

Aristóteles

Depois de Parmênides, foi um dos primeiros filósofos do mundo a estudar a ontologia.
Aristóteles acreditava que esse saber é a filosofia primeira, a qual, como um braço da ciência, tem como principal objetivo estudar o ser humano em seu âmago, sua essência.

São Tomás de Aquino

Ao juntar a filosofia de Aristóteles com elementos religiosos – no caso, o cristianismo -, ele criou o tomismo.
Para Aquino, o homem, em sua essência, era tudo aquilo que Deus permitia que ele fosse.
Já este era puro e completo, sendo a razão de todas as coisas.

Baruch Spinoza

Filósofo que relacionou pela primeira vez Deus com a natureza, de acordo com os registros encontrados.
Para Spinoza, ambos significavam a mesma coisa.
As duas entidades têm em sua composição elementos infinitos e somente a matéria e o pensamento seriam algo perceptível aos humanos.

René Descartes

Já o francês René Descartes se debruçou mais no argumento ontológico de que Deus é uma concepção clara e nítida de um ser supremo e perfeito.
Seus estudos sobre a natureza do ser humano também são marcantes, sendo o primeiro a caracterizar o homem como um ser dualístico, um animal racional.

Fyodor Dostoyevsky

Considerado um dos maiores escritores do mundo, Dostoyevsky também se dedicou à ontologia.
Suas obras, se analisadas filosoficamente, são repletas de diálogos ontológicos entre seus personagens masculinos e femininos, que forjam suas subjetividades nas falas do um e outro.

Michel Foucault

Foucault se dedicou a estudar, entre outros inúmeros assuntos, o que ele chamou de ontologia do presente.
O conceito é baseado em uma análise histórica da subjetivação e representa uma crítica do filósofo a respeito dos aparelhos de dominação, presentes nas sociedades disciplinadoras e de controle.

Immanuel Kant

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O filósofo alemão estudou muito o campo ontológico, mesmo que suas principais contribuições estejam na epistemologia.
Muitos pensamentos de Kant foram interpretados e aprofundados por Foucault no que ficou conhecido como ontologia crítica – aquela que busca desvincular o sujeito de qualquer doutrina.

Georg Hegel

Voltou a conjugar religião com filosofia.
Segundo ele, os dois saberes procuram encontrar a verdade absoluta.
Na ontologia hegeliana, Deus é a razão de toda e qualquer existência.

John Locke

Entre uma das principais funções da ontologia está criar categorias, divisões mais gerais acerca do que é realidade.
Locke foi muito importante nesse sentido, ao se debruçar sobre a particularidade e a individualidade, duas dessas noções de realidade.

Friedrich Nietzsche

Nietzsche é um dos principais representantes da Ontologia do Devir ou do Tempo, corrente mais moderna.
Vontade de potência, conceito base de toda Teoria Nietzscheana, nada mais é do que uma proposição ontológica.

Jean-Paul Sartre

Trouxe o conceito de ontologia fenomenológica.
Sua obra “O ser e o nada” é um marco para o crescimento do existencialismo no século passado.
Os estudos de Sartre remetem à consciência e à sua definição como algo transcendente.
Vale ressaltar que esses são alguns dos principais pensadores ontológicos, mas que existem muitos outros.
Eventualmente, em algum momento de suas vidas, todos os filósofos se dedicaram a estudar a ontologia.
Isso porque o objeto entre os dois saberes se confundem muito.
Logo, os conceitos de realidade e existência são temas recorrentes de pesquisa.

História antiga da ontologia

A ontologia pode ser dividida em três grandes correntes, conforme o entendimento dos pensadores acerca da sua definição.
Confira a leitura de cada uma delas e os seus autores correspondentes.

  • Ontologia do Uno: Parmênides e Platão, principais pensadores dessa corrente, defendiam que tudo se resume a manifestações daquilo que é singular, único. A noção de realidade vem do uno
  • Ontologia do Ser: Aristóteles e São Tomás de Aquino são os precursores desse pensamento e acreditavam que o ser é derivado de múltiplas interpretações e não apenas do uno. Mais baseado nos conceitos de empirismo e experiência, a comprovação se dá por analogias, tendo como maior expoente a substância, que em seu nível máximo corresponde a Deus
  • Ontologia do Devir: passa a não se preocupar somente com o ser, mas também com o não ser. É criada uma oposição entre os dois conceitos, de forma que diferentes questões da vida possam ser levantadas. É o modelo mais vigente de estudo, que surgiu ainda na Era Moderna, e tem em Hegel e Nietzsche seus nomes de destaque.

Coaching ontológico

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metodologia de coaching, como você deve saber, é a mais completa no que diz respeito ao desenvolvimento humano.
Sua abordagem possui uma série de ramificações, como o coaching de carreira, de vida e empresarial.
Há quem denomine como coaching ontológico uma vertente que se propõe a estudar as diferentes formas de encarar o mundo.
A ideia parte de que, durante um processo de coaching, o coachee recebe todo o apoio necessário para aprender a enxergar o mundo sobre diferentes perspectivas.
Essa busca pela expansão de horizontes é um tarefa árdua, vale dizer, pois é preciso enfrentar pensamentos e comportamentos já incrustados na nossa personalidade, exigindo muito autoconhecimento.
Mas isso não quer dizer que seja algo impossível.
Baseado na expansão da tríade corpo, emoção e linguagem, o coaching oferece às pessoas uma oportunidade de aumentar as suas competências e habilidades comportamentais, com o intuito de garantir que novos conhecimentos sejam adquiridos e objetivos sejam alcançados.
Afinal, ninguém é tão experiente que não possa aprender mais nada, não é mesmo?
Importante dizer que essa característica é própria da metodologia e não específica de um coaching chamado de ontológico.

Corpo, emoção e linguagem

A aprendizagem humana se dá a partir do domínio de três elementos fundamentais: o corpo, a emoção e a linguagem.
Cada um deles representa um componente vital para nós.
Eles estão correlacionados, de forma que cada um interfere de forma direta no funcionamento dos outros.
Por mais que eles sejam partes únicas, todos fazem parte do mesmo sistema.
Veja como corpo, emoção e linguagem se manifestam quando estimulados e como tudo isso pode ser utilizado no seu desenvolvimento pessoal e profissional:

Corpo

O corpo fala.
Não é à toa que existem especialistas em linguagem corporal que podem saber exatamente o que você está sentindo sem que precise abrir a boca para dizer uma palavra.
Dependendo da nossa postura, é possível ler se estamos tristes, alegres, temerosos, esperançosos ou com raiva.
Às vezes, apenas a maneira que estamos sentados já entrega o nosso estado de espírito.
Com posse de todas essa informações, um coach pode trabalhar o seu corpo de uma maneira positiva, para que você também transpareça fisicamente que está bem.

Emoção

Mas não adianta nada mudar a sua postura corporal se as suas emoções ainda vão continuar jogando contra o seu bem-estar.
O lado emocional é muito importante na visão do coaching.
Na interpretação da metodologia, são nossos pensamentos e emoções que ajudam a transformar nossas ações e nosso comportamento.
A aprendizagem emocional nada mais é do que saber lidar com o nosso ser interior para que tenhamos a clareza de usar a razão na hora certa.
Ou seja, a racionalidade é importante – nunca devemos abrir mão dela para tomarmos decisões mais conscientes -, mas ela só será efetiva se os nossos sentimentos estiverem bem também.

Linguagem

Muito mais do que a forma como as pessoas se comunicam, a linguagem é vista no coaching como uma expressão dos desejos, anseios e vontades do coachee.
Às vezes, essas características estão mascaradas na nossa comunicação e é justamente esse tipo de tradução que a metodologia pretende fazer: encontrar padrões linguísticos que evidenciem marcas comportamentais.
A partir dessa leitura, é possível montar estratégias para alterar as crenças limitantes e os modos de agir que são negativos e que em nada colaboram para a conquista dos objetivos pessoais e profissionais.

Conclusão

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Este artigo abordou a ontologia, sua histórica e características.
Apesar de ser um conceito antigo, ele está longe de ser ultrapassado – muito pelo contrário.
E tudo isso faz ainda mais sentido quando investimos no nosso desenvolvimento.
É o que propõe o coaching, uma metodologia que possui embasamento científico, diferente do que acontece com a própria ontologia.
Há ramificações das mais variadas, que buscam oferecer soluções personalizadas, seja no campo pessoal ou profissional.

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