Governo Federal anuncia acordo para suspensão da greve dos caminhoneiros

A paralisação teve início na última segunda-feira (21). As principais reivindicações da categoria era a redução do preço do diesel e o corte de impostos sobre o serviço

O ministro-chefe da Casa Civil Eliseu Padilha anunciou acordo, na noite desta quinta-feira (24), para suspensão da greve dos caminhoneiros por 15 dias, com base em documento assinado com entidades representativas dos grevistas. Um dos principais pontos negociados, foi a redução em 10% do preço do óleo diesel na refinaria, que de R$ 2,23 o litro, passa para R$ 2,10, nos próximos 30 dias.

A redução do preço do combustível, segundo informou o ministro da Fazenda Eduarda Guardia, teve contrapartida da Petrobras, que garantiu os R$ 2,10 por litro nos próximos 15 dias, o que vai representar R$ 350 milhões a menos em seu caixa.

Após o período, caberá ao governo federal subsidiar os custos, já que a política de reajuste da empresa petroleira seguirá, com base no preço internacional do petróleo e do câmbio, até a porta da refinaria. Do lado de fora, caberá ao governo intervir, com revisão a cada 30 dias, que serão bancadas com recursos do caixa da União. O governo ainda pagará compensação financeira à Petrobras para garantir sua autonomia.

Além da queda do preço do óleo diesel, o ministro Padilha anunciou que será de“zero” a Contribuição de intervenção no domínio econômico incidente sobre as operações realizadas com combustíveis – Cide-combustíveis em 2018. Outros pontos reivindicados pelos caminhoneiros, como a não cobrança do terceiro eixo de veículos vazios, a revisão trimestral da tabela de referência de fretes, a começar agora em 1º de junho, foram contemplados no acordo.

O governo ainda se comprometeu ainda a editar Medida Provisória em 15 dias para viabilizar que a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) reserve 30% do frete para autônomos em todo território nacional. E pedirá à Petrobras que contrate autônomos por meio de terceirização para distribuição de seus produtos.

Ao final, Eliseu Padilha fez apelo a todos os grevistas para a retomada da normalidade, lembrando que o país depende do transporte rodoviário, para chegar medicamentos aos hospitais e alimentos paras a família brasileira.O ministro garantiu o cancelamento de multas durante o período de paralisação e a suspensão de todas decisões judiciais que punem os grevistas que mantiveram o movimento em vias em que a Justiça havia proibido.

Conforme o Estado de Minas vem informando, mais de 60% dos postos de combustíveis em Minas estão sem combustível, segundo levantamento divulgado no final da tarde desta quinta-feira. A informação é do Minaspetro, entidade que representa os revendedores no estado e que classificou a situação como “reflexo devastador” sobre os revendedores. Hoje os caminhoneiros em greve endureceram o movimento o que causou corrida dos motoristas em todo o país para abastecerem.

Além disso, o governo de Minas também determinou o ponto facultativo para todas os setores da administração estadual nesta sexta-feira. Até a agenda do governador Fernando Pimentel (PT) foi suspensa. A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) também determinou ponto facultativo.

Já é certo que a educação municipal não vai funcionar. Não haverá aulas nas Unidades Municipais de Educação Infantil (Umeis) e nas escolas. A PBH ainda faz o levantamento dos serviços que estarão paralisados e devem enviar ainda nesta quinta-feira a atualização.

O movimento que questiona a política do governo que determina o preço do diesel causou, além de congestionamento nas rodovias, o cancelamento de vários serviços e até o contingenciamento das vendas em supermercados. Desde ontem, na Ceasa já havia registro do aumento nos preços de 470%, caso da batata inglesa.

TRANSPORTE PÚBLICO

Com estoque crítico de combustível, os ônibus da capital mineira vão circular com quadro de horários de domingo nesta sexta-feira. O anúncio foi feito pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (Setra-BH), no início da noite desta quinta-feira, e confirmado pela BHTrans.

De acordo com o Setra-BH, haverá reforço nas linhas troncais que operam nas estações Venda Nova, Pampulha, Diamante e Barreiro ao longo do dia. Por meio de nota, o sindicato destacou que “a adoção do quadro de horários de domingo visa assegurar o deslocamento dos usuários aos locais de trabalho e retorno a seus lares com a maior facilidade possível na atual circunstância”.

Nesta quinta-feira, o quadro de horários das viagens de ônibus da capital mineira já havia sido cortado em 50% fora dos horários de pico. Entretanto, neste sexta-feira, 60% da frota estará nas ruas da capital. O Setra-BH não divulga a estimativa de estoque, mas extraoficialmente representantes de empresas do ramo sustentam que a maioria tem combustível disponível para no máximo dois dias.

Em nota, a BHTrans explicou que a mudança dos horários das viagens se deu “em virtude da redução dos estoques de combustíveis nas empresas operadoras, e do anúncio de ponto facultativo pelos governos municipal e estadual” e que haverá redução de cerca de 45% no número de viagens feitas em um dia útil.

Na Grande BH, no entanto, as viagens serão feitas conforme quadro de horários de sábado.

O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros Metropolitano (Sintram) informou que, conforme essa mudança, haverá uma redução de cerca de 40% da frota. “O Sintram lamenta o cenário da falta de combustíveis gerada pelas paralisações e conta com a compreensão dos usuários do transporte coletivo por eventuais transtornos causados”, explicou o sindicato.

COMERCIANTES PREOCUPADOS EM BH

Dois dias: esse é o prazo que foi dado por gerentes de hortifrútis para que frutas, verduras e legumes sumissem das prateleiras dos sacolões de Belo Horizonte. O relato parte dos gerentes de estabelecimentos situados na Região Centro-Sul. Para eles, a maior escassez se constata nos morangos, cenouras e batatas – produtos que, em condições normais, os caminhoneiros entregam diariamente.

Gerente do Pomar da Serra, no Bairro Funcionários, na Região Centro-Sul, Gelisa de Assis lamenta o aumento dos preços desde o início da paralisação dos caminhoneiros, na última segunda-feira. “Não tem produto na Ceasa. Nosso medo é falto de abastecimento mesmo. O final de mês está chegando e temos funcionários para pagar. Além disso, o que chega não tem qualidade e prejudica o consumidor final”, afirma. Além da ausência de morangos e de poucas cenouras, a empresária destaca a falta total de produtos hidropônicos e orgânicos.

 

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