Pedido de prisão para ex procurador geral sob supeita.

O advogado André Perecmanis, responsável pela defesa do ex-procurador Marcello Miller, criticou o pedido de prisão contra Miller formulado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e afirmou que o ex-procurador não cometeu irregularidades. Miller é acusado de ter orientado o empresário Joesley Batista, dono da JBS, antes das tratativas para a assinatura do acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR).

— Por que esse pedido de prisão antes do depoimento? Para que o depoimento então? Dez horas de depoimento para já ter um pedido pronto? Para que o procurador-geral, se fez o pedido de prisão, pediu para que ele (Miller) fosse ouvido? – afirmou.

Segundo o defensor, o áudio gravado entre Joesley e Ricardo Saud, executivo da JBS, que motivou o pedido de prisão, é “desconexo”. Miller deixou a sede da Procuradoria Regional da República da 2ª Região, no Centro do Rio, na madrugada deste sábado, após dez horas de depoimentos a dois procuradores do Ministério Público Federal do Rio, designados pela PGR.

O advogado refutou qualquer possibilidade de que Miller tenha tido “ingerência” sobre a negociação da delação premiada da JBS. Miller deixou o grupo do trabalho da Lava-Jato, que integrou por pouco mais de um ano, em julho de 2016. Na ocasião, ele voltou a atuar na unidade do MPF no Rio até pedir exoneração em fevereiro deste ano – a saída foi efetivada em abril, em função de férias que estavam vencidas.

— Ele explicou que está aqui por conta de um áudio completamente desconexo, gravado em condições que ninguém sabe quais são e que tem uma série de atrocidades. No que diz respeito a ele (Miller) especificamente, (o áudio) atribui uma ingerência junto ao procurador-geral que nunca existiu. Está provado documentalmente que ele estava afastado do grupo (de trabalho) da Lava-Jato desde julho de 2016. Não tem qualquer contato com o procurador, por qualquer meio, desde outubro, pelo menos, de 2016. Então era impossível haver essa ingerência. Nunca foi emissário de ninguém. Nunca atuou dos dois lados, sempre teve uma vida no Ministério Público. Essa acusação é uma infâmia e se espera que, com os esclarecimentos que ele prestou, tudo venha à tona.

Para Perecmanis, o pedido de prisão pode indicar que o depoimento de Miller não interessaria realmente ao MPF.

— As declarações dele não interessam para o Ministério Público? Essa que é a pergunta. Mas é uma informação que estou tendo pela imprensa. Causa muita espécie e indignação à defesa e evidentemente ao Marcello, que passou o dia inteiro aqui respondendo todas as perguntas que foram formuladas.

O advogado negou ainda que Miller tenha deixado de cumprir o tempo mínimo necessário até que pudesse exercer a advocacia após deixar os quadros do MPF.

— Foi esclarecida a questão da quarentena. Existe uma interpretação técnica que dá ensejo a ele ter respeitado a lei. Não há qualquer dúvida quanto a questão da quarentena. Isso ficou explicado no depoimento
fonte O Globo

 

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