Vitória de Flavio Dino, Eliziane Gama e Weverton Rocha confirma o fim da oligarquia Sarney no Maranhão.

Flávio Dino (PC do B), foi reeleito governador do Maranhão neste domingo (7) com 59% dos votos válidos. Ele teve com principal adversária a ex-governadora e ex-senadora Roseana Sarney (MDB), 65, com 29%, filha do ex-presidente José Sarney, e consolidou a hegemonia em um estado que por anos foi dominado pelo grupo dos Sarney.

O governador Flávio Dino  impôs derrota humilhante à representante da oligarquia, ex-governadora Roseana Sarney, elegeu os dois senadores, enterrando de vez o grupo político que ao longo de cinquenta anos, levou o Maranhão a ocupar o primeiro lugar entre os Estados mais pobre da Federação. Faltando apenas 10% das urnas, Dino lidera com 59,44% dos votos válidos.

O Dia 7 de outubro de 2018, portanto, ficará marcado na história como a data em que o eleitor maranhense foi às urnas colocar a última pá de cal na cova da oligarquia criada pelo ex-senador José Sarney, que estava em estado terminal desde 2014 quando Flávio Dino, após uma campanha empolgante, derrotou o candidato Edinho Lobão (MDB) e encerrou o ciclo de dominação do grupo comandado pelas famílias Sarney/Lobão/Murad.

As urnas começaram cantar cedo em favor de Flávio Dino, confirmando o que já era esperado pelos institutos que mediram a tendência do eleitorado. Desde o início da leitura dos sufrágios, Dino tomou a dianteira e assim se manteve até o final da apuração, para alegria dos correligionários que explodiam em comemoração a cada vez que o TRE-MA atualizava a contagem dos votos com o governador sempre acima dos 60%.

Com mais essa derrota, o grupo, na avaliação de vários políticos que serviram a família do ex-presidente José Sarney ao longo do tempo em que esteve no poder, deixará de existir, devendo nascer um novo grupamento político. Já a ex-governadora Roseana deverá se aposentar definitivamente da política, enquanto o velho oligarca poderá seguir o mesmo caminho.

O governador teve uma vitória completa, pois além de se reeleger com ampla vantagem sobre os adversários, elegeu os dois senadores e as maiores bancadas na Câmara Federal e Assembleia Legislativa do Maranhão, se consolidando como a maior liderança política do Estado na atualidade. Já o senador Roberto Rocha que tentou confrontar o seu criador sai desta eleição transformado em anão político.

Rocha decepcionou, levou um “banho” até da ex-prefeita de Lago da Pedra, Maura Jorge, que pegou carona na campanha do presidenciável Jair Bolsonaro e teve uma performance surpreendente ao conseguir percentual muito superior a que lhe atribuíam as pesquisas, o que lhe credencia a vislumbrar uma nova candidatura ao governo em 2022, diferente do tucano que sai desmoralizado do pleito.

O foco da campanha de Dino foi a educação, com a promessa do aumento de número de escolas integrais, principalmente em áreas rurais. O Maranhão, segundo dados de 2016 do IBGE, é o estado brasileiro com maior número de pessoas vivendo em situação de pobreza, mais da metade da população (52,4%). Em seu programa de governo, Dino listou 65 promessas, destas 38 no capítulo “enfrentar as injustiças as sociais”, como a criação de policlínicas e ajuda com recursos para reforma de moradias.

Dino foi por 12 anos juiz federal, período no qual presidiu a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), entre 2000 e 2002, e esteve também como secretário-geral do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Em 2006 decidiu entrar para a política e foi eleito deputado federal para o mandato de 2007 a 2011.

Em 2008 tentou ser prefeito de São Luis, mas perdeu a eleição para João Castelo (PSDB), derrota que se repetiu em 2010 para o governo do Maranhão, quando Roseana Sarney venceu no primeiro turno. Entre 2011 e 2014 foi presidente da Embratur, nomeado pela então presidente Dilma Rousseff. Em 2014 se elegeu governador do Maranhão mesmo sem o apoio do PT.

Em abril de 2017 foi acusado em delação por José de Carvalho Filho, ex-funcionário da Odebrecht, de pedir R$ 400 mil em 2010 para sua primeira campanha ao governo do Maranhão, em troca defenderia projeto de lei que beneficiaria a construtora -ele negou as acusações. O caso foi arquivado no STJ em agosto de 2017 a pedido da Procuradoria-Geral da República, que disse não ter encontrado provas. Na época o irmão do governador, Nicolao Dino, era vice-procurador-geral eleitoral e um dos principais assessores do procurador-geral Rodrigo Janot.

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