“A inclusão e a independência dos surdos ao procurarem  serviços de saúde e outros serviços, ainda são baixas, devido à grande escassez de informações por parte dos profissionais que os atendem. Essa situação afeta, principalmente, as consultas médicas e os trabalhos na área de  enfermagem, pois os surdos apresentam restrições frente a uma sociedade ainda precária no conhecimento de sua cultura, o que leva a família a acompanhá-los sempre, preocupado com essa situação, nós profissionais da área de saúde nos colocamos à disposição para aprendermos libras” Destacou a Fisioterapeuta Melissa Sardinha

As secretarias de Estado da Saúde e de Direitos Humanos e Participação Popular, de forma integrada, implantaram o projeto pioneiro no Maranhão.

“Tivemos o primeiro parto com auxílio de intérprete para pessoa surda no ano passado. Vamos realizar a capacitação dos primeiros 30 profissionais e a ideia é expandir para nossas unidades de saúde para que os pacientes possam ter maior acessibilidade e assistência em saúde de forma integral”, disse o secretário de Estado da Saúde, Carlos Lula.

“O projeto Saúde em Libras foi articulado por nós da Sedihpop, de acordo com as demandas solicitadas junto com a sociedade civil e com o Conselho Estadual de Direito à Pessoa com Deficiência. O curso é um ato de reconhecimento à cidadania da pessoa surda, uma decisão importante de humanização do atendimento aos usuários do sistema de saúde do Maranhão, com a capacitação do profissional de saúde em libras”, destacou o secretário de Direitos Humanos e Participação Popular, Francisco Gonçalves da Conceição.

Ele completou, ainda, que “essa é uma questão fundamental para garantir um atendimento de melhor qualidade aos usuários que são surdos e têm dificuldade de comunicação”.

Saúde em Libras

Inicialmente, o projeto começará pelas maternidades, mas se estenderá como formação para outros profissionais de saúde das unidades estaduais, sejam elas de urgência e emergência, alta complexidade ou saúde mental, dentre outros, porém, respeitando a singularidade da oferta de cada serviço.

A primeira etapa do projeto começou, nesta terça-feira (6), com a capacitação dos profissionais da Maternidade de Alta Complexidade do Maranhão, Maternidade Benedito Leite e Maternidade Nossa Senhora da Penha.

A iniciativa teve também a colaboração ativa dos professores surdos e ouvintes que  trabalharam na construção do 1ª Glossário bilíngue da saúde que servirá como material didático para as turmas de capacitação, com destaque para a Fisioterapeuta Melissa Sardinha que conseguiu juntar esses profissionais e fazê-los compreender a importância de enfrentar tais desafios no sentido de  prepara profissionais da saúde no atendimento às pessoas surdas

“A principal conquista é a comunicação. É muito importante os profissionais aprenderem libras, ter essa comunicação com o ser humano em qualquer lugar. Estou muito feliz com a abertura do curso, pois isso vai motivar os profissionais a aprenderem mais e a terem um cuidado mais especifico com todos os deficientes, de modo particular os  surdos que enfrentam enormes dificuldades no dia a dia,”disse Mayk Oliveira, pai do primeiro bebê nascido com a ajuda de intérprete na Maternidade de Alta Complexidade do Maranhão, em São Luís.

O ineditismo do projeto que busca melhorar o atendimento aos pacientes com surdez trouxe alegria para quem viveu a experiência e para quem ainda vai vivenciá-la. “Eu me senti muito segura em ter esse contato com o intérprete. Ter esse serviço disponível de forma efetiva é um orgulho para todos os surdos e todas as mulheres do Maranhão, porque temos essa oportunidade que muitas não tiveram no passado”, completou a professora Louise Ludmila, esposa de Mayk Oliveira.

“Esse projeto representa a possibilidade de se eliminar as barreiras de comunicação em qualquer situação, sobretudo em um dos momentos mais sublimes da vida humana, cumprindo fielmente um dos comandos previstos pelo art. 3º da Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/2015)”, disse a responsável pela Escola Técnica do SUS, Dayana Dourado.

 

Projeto visa atender pessoas com deficiência auditiva nas Unidades de Saúde

 

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