O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, durante cerimônia de assinatura de acordo de cooperação técnica para estabelecimento de políticas públicas de combate à violência doméstica e familiar

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), demonstra irritação com o governo de Jair Bolsonaro. Em entrevista à Folha, o principal articular da reforma da Previdência disse que o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, é “funcionário do presidente Jair Bolsonaro” e que o projeto Anticrime encaminhado ao Congresso é um “copia e cola” de proposta sobre o mesmo tema que foi apresentada no passado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF.

“Eu acho que ele conhece pouco política. Eu sou presidente da Câmara, ele é ministro funcionário do presidente [Jair] Bolsonaro. Então o presidente Bolsonaro tem que dialogar comigo”, afirmou Maia. “Ele [Moro] não é presidente da República, não foi eleito para isso”, completou.

O motivo da irritação de Maia foram as críticas feitas por Moro ao congelamento da tramitação do projeto. Maia decidiu suspender a tramitação de parte do projeto que é considerado inconstitucional por diversos especialistas. Um dos pontos de maior crítica é o que considera como legítima defesa a ação policial de matar alguém para prevenir agressão contra si ou para evitar o risco de agressão a reféns, chamado de “licença para matar” por alguns juristas.

Confira a íntegra da resposta de Moro:

“Sobre as declarações do Presidente da Câmara, Rodrigo Maia, esclareço que apresentei, em nome do Governo do presidente Jair Bolsonaro, um projeto de lei inovador e amplo contra crime organizado, contra crimes violentos e corrupção, flagelos contra o povo brasileiro. A única expectativa que tenho, atendendo aos anseios da sociedade contra o crime, é que o projeto tramite regularmente e seja debatido e aprimorado pelo Congresso Nacional com a urgência que o caso requer. Talvez alguns entendam que o combate ao crime pode ser adiado indefinidamente, mas o povo brasileiro não aguenta mais. Essas questões sempre foram tratadas com respeito e cordialidade com o Presidente da Câmara, e espero que o mesmo possa ocorrer com o projeto e com quem o propôs. Não por questões pessoais, mas por respeito ao cargo e ao amplo desejo do povo brasileiro de viver em um país menos corrupto e mais seguro. Que Deus abençoe essa grande nação.”

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