Tipos de discursos,Criação Lexical e os Processos de Formação de Palavras

TIPOS DE DISCURSOS

Decurso direto • Nesse caso, o narrador reproduz as falas dos personagens por meio das próprias palavras deles.

  • A reprodução do discurso ocorre como se o leitor ouvisse literalmente o que os personagens disseram.
  • Algumas marcas linguísticas são evidenciadas: uso dos dois pontos e travessão; aparecimento de verbos que anunciam a fala do personagem (“disse”, “falou”…) – são os chamados verbos de elocução ou verbos dicendi e a presença de palavras que se vinculam à situação de produção textual em que se proferiu o discurso.
  • Ex.: “– O rio já encheu mais? – perguntou a mãe.

– Chi, ta um mar d’água! Qué vê, espia, – apontou o menino com o dedo para fora do rancho.”

  • Discurso indireto
  • Nesse tipo de discurso, o narrador reproduz as palavras dos personagens sem priorizar sua forma linguística e sim seu conteúdo. Aqui, o que se pretende não é reproduzir literalmente o que o personagem falou, mas reescrever tal fala por meio das palavras do narrador.
  • As marcas linguísticas desse tipo de discurso incluem também verbos que reproduzem as falas dos personagens (“dizer”, “afirmar”, “perguntar”, “responder” etc.); a fala do narrador não é isolada por sinal de pontuação, mas por partículas introdutórias (normalmente, as conjunções integrantes que e se); os pronomes, os verbos e outros vocábulos da fala do personagem são substituídos por outros que se vinculem ao tempo em que se situa o narrador.
  • Ex.: “Assim que a encontrei, perguntei se nós poderíamos nos encontrar naquela noite.”
  • Discurso indireto livre
  • Essa é a forma mais sutil de se reproduzir a fala de um personagem – não há indicadores muito evidentes de limites entre a fala do narrador e a fala do personagem. Nesse caso, é preciso que o leitor pressuponha que aquelas palavras não pertencem ao narrador e sim a um personagem da narrativa. É o discurso que aproxima ambos, dando-nos a impressão de que falam em uma só voz.
  • Ex.: “Toda a fascinação da vida o golpeou, uma tão profunda delícia e gosto de viver, uma tão ardente e comovida saudade, que retesou os músculos do corpo, esticou as pernas, sentiu um leve ardor nos olhos. Não quero morrer!”

Discurso Direto Discurso Indireto

Pronomes e flexão verbal em 1ª ou 2ª pessoa:

– Quero dormir – disse a menina

Pronomes e flexão verbal em 3ª pessoa:

A menina disse que queria dormir.

Tempos verbais (ordenados em relação ao momento da

fala)

  1. a) Presente do Indicativo
  2. b) – A situação é a mesma – afirmou o policial

Tempos verbais (em correlação com o tempo em que se

situa o narrador)

  1. a) Pretérito Imperfeito
  2. b) O policial afrimou que a situação era a mesma.
  3. b) Pretérito Perfeito

– Tudo permaneceu como antes – lembrou o rapaz.

  1. C) Futuro do Presente

– Tudo estará acabado em breve – sentenciou a mulher.

  1. d) Modo Imperativo

– Não entre aí, disse a mãe.

  1. b) Pretérito Mais-que-perfeito

O rapaz lembrou que tudo permanecera como antes.

  1. c) Futuro do Pretérito

A mulher sentenciou que tudo estaria acabado em pouco tempo.

  1. d) Modo subjuntivo

A mãe mandou que não entrasse ali Frases interrogativas diretas

– Tudo bem ai? – perguntou a mulher.

Frases interrogativas indiretas

A mulher perguntou se estava tudo bem ali.

Pronomes demonstrativos de 1ª e 2ª pessoa

(esta/este/isto; esse/essa/isso)

– Essa sua atitude não é educada – repreendeu o pai

Pronome demonstrativo de 3ª pessoa

(aquele/aquela/aquilo.

O pai lhe falou que aquela atitude não era educada.

Enunciados de tipologia textual

A seguir, os enunciados mais comuns de provas de concursos públicos sobre o assunto:

“O texto deve ser classificado de forma mais adequada…”; “Os textos narrativos/ nformativos/didáticos caracterizam-se por…”; “O texto lido poderia ser classificado como…”;

“Quanto ao modo de organização do discurso, pode-se afirmar que o texto lido é…”; “O texto

lido deve ser considerado prioritariamente como…”; “A finalidade principal desse texto é a

de…”; “O objeto maior do texto é…”, entre outros.

Você já deve ter observado que existe uma grande diferença entre a língua que falamos em nosso dia a dia e a língua preconizada pela gramática, não é mesmo? Por que será que esse fenômeno acontece? Por que nós, falantes, acabamos inventando um jeito menos formal de nos comunicar? A linguagem pode ser usada para expressar sentimentos, para informar, para influenciar outras pessoas etc. A transmissão dessa mensagem pressupõe um emissor, um receptor, um contexto, um código e um canal entre o emissor e o receptor.

VARIAÇÃO DE REGISTRO E NORMA LINGUÍSTICA

A língua não é usada de modo homogêneo por todos os seus falantes. O uso de uma língua varia de época para época, de região para região, de classe social para classe social, e assim por diante.

Nem individualmente podemos afirmar que o uso seja uniforme. Dependendo da situação, uma mesma pessoa pode usar diferentes variedades de uma só forma da língua.

Ao trabalhar com o conceito de variação linguística, estamos pretendendo demonstrar:

  • que a Língua Portuguesa, como todas as línguas do mundo, não se apresenta de maneira uniforme no território brasileiro;
  • que a variação linguística manifesta-se em todos os níveis de funcionamento da linguagem;
  • que a variação da língua se dá em função do emissor e em função do receptor ;
  • Que diversos fatores, como região, faixa etária, classe social e profissão, são responsáveis pela variação da língua;
  • Que não há hierarquia entre os usos variados da língua, assim como não há uso linguisticamente melhor que outro. Em uma mesma comunidade linguística, portanto, coexistem usos diferentes, não existindo um padrão de linguagem que possa ser considerado superior. O que determina a escolha de uma variedade é a situação concreta de comunicação.
  • Que a possibilidade de variação da língua expressa a variedade cultural existente em qualquer grupo. Basta observar, por exemplo, no Brasil, que, dependendo do tipo de colonização a que uma determinada região foi exposta, os reflexos dessa colonização estarão presentes de maneira indiscutível.

NÍVEIS DE VARIAÇÃO LINGUÍSTICA

É importante observar que o processo de variação ocorre em todos os níveis de funcionamento da linguagem, sendo mais perceptível na pronúncia e no vocabulário.

       Nível fonológico – por exemplo, o 1 final de sílaba é pronunciado como consoante pelos gaúchos, enquanto em quase todo o restante do Brasil é vocalizado, ou seja, pronunciado como um u; o r caipira; o s chiado do carioca.

       Nível morfossintático – muitas vezes, por analogia, por exemplo, algumas pessoas conjugam verbos irregulares como se fossem regulares: “manteu” em vez de “manteve”, “ansio” em vez de “anseio”; certos segmentos sociais não realizam a concordância entre sujeito e verbo, e isto ocorre com mais frequência se o sujeito está posposto ao verbo. Há ainda variedade em termos de regência: “eu lhe vi” em vez de “eu o vi”.

       • Nível vocabular – algumas palavras são empregadas em um sentido específico de acordo com a localidade. Exemplos: em Portugal diz-se “miúdo”, ao passo que no Brasil usa-se ” moleque”, “garoto”, “menino”, “guri”; as gírias são, tipicamente, um processo de variação vocabular.

TIPOS DE VARIAÇÃO LINGUÍSTICA

       1) Variação diacrônica (histórica): a língua apresenta mudanças dentro da linha do tempo; normalmente isso acontece ao longo de um determinado período de tempo e pode ser identificado quando se comparam dois estágios de uma língua; é interessante dizer que o meio rural ainda conserva uma linguagem com traços antigos; as mudanças mais visíveis se dão no léxico e na semântica.

       Exemplo neste trecho da crônica Antigamente, de Carlos Drummond de Andrade:

       “(…) Acontecia o indivíduo apanhar constipação; ficando perrengue, mandava o próprio chamar o doutor e, depois, ir à botica para aviar a receita, de cápsulas ou pílulas fedorentas. Doença nefasta era a phtysica, feia era o gálico. Antigamente, os sobrados tinham assombrações, os meninos lombrigas, asthma os gatos, os homens portavam ceroulas, botinas e capa-de-goma, a casimira tinha de ser superior e mesmo X.P.T.O. London, não havia fotógrafos, mas retratistas (…)”

VARIAÇÃO DIATÓPICA (GEOGRÁFICA, REGIONAL, DIALETAL)

       A língua apresenta mudanças de região para região; o sotaque (pronúncia típica de uma região) é o principal acusador do lugar onde determinado indivíduo vive, mas a peculiaridade se estende também ao vocabulário, sentido das palavras, estrutura sintática etc.;

Ilustram bem as músicas Tremendo Vacilão, da cantora Perlla e A Feira de Caruaru, de Luiz Gonzaga, respectivamente:

“(…) Na madrugada / Abandonada / E não atende o celular / Tirando onda / Cheio de marra / Achando que eu / Vou perdoar… / Prá mim já chega / Eu tô bolada / Agora quem não quer sou eu / Não te dou bola / Senta e chora / Porque você já me perdeu… / Deu mole prá caramba / É um tremendo vacilão / Tá todo arrependido / Vai comer na minha mão / Pensou que era o cara / Mas não é bem assim / Agora baba, bobo / Vai correr atrás de mim…”

“A Feira de Caruaru, / Faz gosto a gente vê. / De tudo que há no mundo, / Nela tem pra vendê, / Na feira de Caruaru. (…) Tem loiça, tem ferro véio, / Sorvete de raspa que faz jaú, / Gelada, cardo de cana, / Fruta de paima e mandacaru. / Bunecos de Vitalino, / Que são cunhecidos inté no Sul, / De tudo que há no mundo, / Tem na Feira de Caruaru”

VARIAÇÃO DIASTRÁTICA (SOCIAL, SOCIOCULTURAL)

A língua apresenta mudanças em camadas sociais diferentes (nível socioeconômico) e grupos sociais diversos (profissionais da mesma área, surfistas, funkeiros, políticos, comediantes etc.); as gírias e os jargões se destacam entre os grupos sociais ligados a uma profissão ou não; chamamos de tecnoleto a linguagem que se vale de termos técnicos compartilhados por um grupo (jargão) que pertence a uma mesma área de conhecimento profissional (o economês, o juridiquês, o cientifiquês etc.); chamamos de socioleto a linguagem compartilhada por um grupo com características sociais em comum.

Observe os diálogos de um porteiro com um “doutor”’ e de um médico com uma paciente, respectivamente:

O Porteiro e o doutor

– Bom dia, dotô.

– Bom dia.

– Seu Jorge, os portero aqui da área tão fazendo uma caxinha pá comemorá o fim do ano com um churraquinho; ó só, os moradores vão poder estar participando, viu?

– Bem, Osvaldo, eu até gostaria de participar da comemoração de vocês, mas infelizmente só vou poder ajudar com a caixinha; ajuda?

– Claro, dotô! Brigadão!

– Disponha.

O Médico e uma paciente

– Boa tarde.

– Pois não, em que posso ajudar a senhora?

– Bem, eu estive aqui semana passada com uma dor nas articulações muito grande.

– Dona Kátia, sua prostração me incomoda muito e queremos evitar que sua condição avance para uma anquilose, certo?

– Prosta… o quê? Anqui… o quê?

– Fica calma, vou explicar e depois receito um remédio, ok?

VARIAÇÃO DIAFÁSICA (SITUACIONAL, EXPRESSIVA)

A língua apresenta mudanças em função do contexto, das circunstâncias, da situação comunicativa; um falante varia o uso da língua se está em um ambiente familiar, profissional, formal, informal, etc., considerando o grau de intimidade, o tipo de assunto tratado e quem são os receptores;

Basicamente é possível identificar dois limites extremos de estilo: o informal, quando há um mínimo de reflexão do indivíduo sobre as normas linguísticas, utilizado nas conversações imediatas do cotidiano; e o formal, em que o grau de reflexão é máximo, utilizado em conversações que não são do dia a dia e cujo conteúdo é mais elaborado e complexo;

Não se deve confundir o estilo formal e informal com língua escrita e falada, pois os dois estilos ocorrem em ambas as formas de comunicação; importante é dizer que existe uma maneira própria de cada falante usar a língua (idioleto): o uso preferencial de determinadas palavras ou construções frásicas, o valor semântico dado a um ou outro termo etc.

Veremos alguns exemplos desse tipo de variação em um diálogo: Pais e filha

– Papai, o que é sexo?

– Que isso, menina?! Que história é essa?

– Ah, papai, uma coleguinha minha me falou que a mamãe dela faz isso com…

– Quem é essa menina, filha?!

– É a Julinha.

– Michele, vem aqui.

– Que foi, Pedro?

– Mamãe, por que o papai ficou nervoso com o sexo? É ruim?

– Que isso, menina?! Que história é essa?

– Michele, ela quer saber o que é sexo, é isso.

– Ah, amorzinho, vem aqui pra eu te explicar. Não é nada, não. Sai daqui, Pedro! Bem,

filha, é o seguinte: não tem quando o papai e a mamãe se beijam e se abraçam?

– Ãrrã.

– Então, isso é sexo. É beijo e abraço entre o papai e a mamãe.

– Ah… entendi. Posso te dar um beijo e um abraço então, né?

– Não!… Quer dizer… Claro, filhota! Vem cá. m bar e entre um empregador e um candidato ao emprego:

Amigos jovens em um bar

– Fala aí, parceiro!

– E aí, muleque! Beleza?

– Pô, tranquilão.

– E aí, vamo jogá aquela sinuquinha?

– Junto com aquela gelada.

– Já é.

Empregador e candidato a emprego

– Bem, senhor Mário, por que devemos contratar o senhor para a vaga de inspetor dessa escola?

– Senhor Roberto, com o devido respeito ao senhor e a sua instituição, seria uma honra trabalhar aqui, uma vez que as referências que tenho dessa escola são ótimas. Agora, quanto a por que me contratar, só posso lhe dizer a verdade: eu sou uma pessoa comprometida com o que faço, sou perfeccionista e responsável com meu horário, além de gostar muito de me relacionar com o público infanto-juvenil. Enfim, acho que o trabalho pode ser meu porque eu creio que tenho um bom perfil.

– Ok, senhor Mário, iremos entrar em contato depois, mas desde já, agradeço sua apresentação.

REGISTROS LINGUÍSTICOS: LÍNGUA FALADA E LÍNGUA ESCRITA

Em linguística, registro designa a variedade da língua, falada ou escrita, definida de acordo com o seu uso em situações sociais. Assim, esse termo designa os diversos estilos que um falante pode usar de acordo com a situação comunicativa em que participa. Numa conversa informal num café com os amigos, por exemplo, utilizará um registro diferente do que utiliza em família, com a avó.

Já um texto escrito formal dirigido a um professor com o propósito de pedir licença da prova por causa de um falecimento de alguém da família será diferente de uma carta dirigida a um presidente. E por aí vai…

Tanto a língua falada quanto a língua escrita apresentam graus de reflexão para a produção do discurso. Cada uma das variedades linguísticas pode-se apresentar na modalidade escrita ou falada. Não se pode fazer uma distinção total entre língua falada e língua escrita como se esta fosse mais pautada nas regras da norma culta e por isso menos espontânea, e aquela menos apegada às regras da norma culta e mais espontânea, pois o uso de uma ou outra modalidade depende da situação comunicativa.

LÍNGUA FALADA

  • normalmente não há planejamento do discurso, por isso é mais espontânea;
  • normalmente há um contrato de comunicação entre o locutor e o interlocutor, em que o contexto, a situação comunicativa formam o discurso entre os interlocutores;
  • normalmente há pausas para a seleção do vocabulário;
  • normalmente ocorre contração e truncamento entre palavras (Ex.: para o > pro);
  • normalmente ocorre entoação enfática, alongamento de vogal ou consoante, silabação etc.;
  • normalmente ocorre quebra de sequência temática;
  • normalmente as construções frasais são menos extensas;
  • normalmente ocorre repetição de termos;
  • normalmente se usam muitas expressões idiomáticas ou clichês;
  • normalmente ocorrem muitos marcadores discursivos, como tá?, né?, viu?, certo?,

entendeu?, beleza?, e aí?, pô!, bem, então, pois é, olha, tipo (assim), aí, ah…, eh…

ahn…, escuta, vem cá, ok, etc. e tal, tal e coisa, exato…, sei…, seguinte… etc.;

  • normalmente ocorre a monotongação de ditongos (caixa > caxa, peixe > pexe, negócio > negoço…);
  • normalmente ocorrem muitos anacolutos;
  • normalmente há um uso maior de frases interrogativas e exclamativas;
  • normalmente os verbos se encontram na voz ativa;
  • normalmente se usa próclise durante todo o discurso;
  • normalmente ocorre redução e variação em algumas conjugações (Ex.: está > tá; Quando eu vir você… > Quando eu ver você…);
  • normalmente algumas regras rígidas de concordância e regência são ignoradas;
  • normalmente se usa o pronome reto na posição de objeto;
  • normalmente se usa o verbo ter no lugar do haver, com sentido de existir;
  • normalmente não se usa a forma de 2a pessoa do imperativo, usa-se a forma de 3a pessoa do presente do indicativo (traze > traz).

LÍNGUA ESCRITA

  • normalmente há planejamento do discurso, por isso é menos espontânea e mais precisa;
  • normalmente há maior seleção vocabular;
  • normalmente se evitam transgressões gramaticais de todo tipo, pois é possível “corrigir” conforme a norma culta o que se escreve;
  • normalmente tem fins utilitários, como contratos, correspondências comerciais, linguagem jornalística, escrituras, ofícios, requerimentos, atas etc.;
  • normalmente na literatura com finalidade artística há um uso frequente de recursos expressivos;
  • é a modalidade para a criação da língua artificial, a das novelas, telejornais, seminários, teatros, etc.;
  • normalmente a maioria das características da língua falada não aparecem com frequência na língua escrita.

Normalmente o registro culto está associado à língua escrita, portanto as características alistadas em “Língua Escrita” são próprias do registro culto. No entanto, saiba que há mais alguns detalhes importantes para a resolução de questões que tratam do registro culto. Tais questões exploram normalmente seu conhecimento relativo a acentuação, ortografia, emprego de classes gramaticais (pronomes e verbos principalmente), pontuação, concordância, regência e crase.

Tipologia e Gêneros Textuais

Tipologia textual ou modo de organização do discurso ou modo textual

Nos referimos à forma como o texto se organiza em relação à informação que será apresentada, aos aspectos sintáticos, aos tempos dos verbos, às relações lógicas etc. É imprescindível lembrar que esses modos de organização do discurso nem sempre aparecem “puros” no texto, ou seja, dificilmente encontraremos textos com características unicamente narrativas ou descritivas. É importante ressaltar que muitas pessoas fazem confusão entre tipo textual e gênero textual. O gênero textual é um formato que se propõe a uma finalidade.

Exemplos: uma lenda, uma ata de reunião, uma carta, uma fábula, uma receita, uma bula de remédio são diferentes gêneros textuais que possuem formatos distintos. Podemos constatar, dessa forma, que temos inúmeros gêneros e que nesses gêneros podemos encontrar cinco tipos textuais. Para que fique mais fácil compreender, vamos analisar cada tipo textual.

Tipos de textos

Narrativo

O texto narrativo é uma modalidade textual em que se conta um fato, fictício ou não, que ocorreu num determinado tempo e lugar, envolvendo certos personagens. Toda narração tem um enredo ou intriga – o encadeamento, a sucessão dos fatos, o conflito que se desenvolve, podendo ser linear ou não.

Características principais:

O tempo verbal predominante é o passado.

Alguns gêneros textuais narrativos: piada, fábula, parábola, epístola (carta com relatos), conto, novela, epopeia, crônica (mix de literatura com jornalismo), romance.

Quem conta (narrador), o que ocorreu (o enredo), com quem ocorreu (personagem), como ocorreu (conflito/clímax), quando/onde ocorreu (tempo/espaço) são elementos presentes neste tipo de texto. Foco narrativo com narrador de 1a pessoa (participa da história – onipresente) ou de 3ª pessoa (não participa da história – onisciente). Normalmente, nos concursos públicos, o texto aparece em prosa, não em verso.

Exemplo:

Numa noite brilhante do mês de fevereiro (tempo), Fernando e Juliana (personagens) caminhavam pela rua (espaço) que conduzia à praça, ao sabor das estrelas (foco narrativo de 3a pessoa). Como em um conto de fadas, ela estava totalmente apaixonada por mim, o Fernando da história (foco narrativo de 1a pessoa). Era o momento ideal para ser atrevido, surpreendendo-a. Foi nesse momento que o rapaz (infelizmente este sou eu de novo) tomou um tapa daqueles na cara! (clímax) (o todo é o enredo) Eita! Bendita autoestima.

OBSERVAÇÕES DO TEXTO

  • Observe que o texto está escrito em prosa e não em verso, afinal, não há rima, nem métrica, nem musicalidade.
  • Observe também que os verbos estão no passado, quando o objetivo é simplesmente relatar: caminhavam, conduzia, estava, era, foi, tomou. Digo isso, pois, no trecho “infelizmente este sou eu de novo”, o verbo está no presente. “Por que isso ocorre?” Simples: o presente do indicativo é o tempo do comentário e não do relato.
  • Resumindo: quando se deseja contar, relatar algo, verbo no passado; quando se deseja comentar, opinar, verbo no presente.
  • “Mas não é possível relatar algo com o verbo no presente?” Até é, mas não é comum. Quando se usa o presente no lugar do pretérito perfeito, por exemplo, a ideia é relatar a história imprimindo atualidade a ela, como ocorre nas narrações de futebol.

Texto Descritivo

A descrição é uma modalidade de composição textual cujo objetivo é fazer um retrato por escrito (ou não) de um lugar, uma pessoa, um animal, um pensamento, um sentimento, um objeto, um movimento etc.

Características principais:

Os recursos formais mais encontrados são os de valor adjetivo (adjetivo, locução adjetiva e oração adjetiva), por sua função caracterizadora.

Há descrição objetiva e subjetiva, normalmente numa enumeração. A noção temporal é normalmente estática. Normalmente usam-se verbos de ligação para abrir a definição. Normalmente aparece dentro de um texto narrativo. Os gêneros descritivos mais comuns são estes: manual, anúncio, propaganda, relatórios, biografia, tutorial.

Exemplo:

Era uma casa (objeto da descrição) muito engraçada (adjetivo descritivo subjetivo)

Não tinha teto*, não tinha nada*

Ninguém podia entrar nela, não

Porque na casa não tinha chão*

Ninguém podia dormir na rede

Porque na casa não tinha parede*

Ninguém podia fazer pipi

Porque penico não tinha ali*

Mas era feita com muito esmero

Na rua dos bobos, número zero

(Vinícius de Moraes)

Note que este texto, escrito em versos, é narrativo, mas dentro da narração há a descrição, que apresenta predicados verbais com função objetivamente caracterizadora de um objeto (a casa): Não tinha teto, não tinha nada, não tinha chão, não tinha parede, penico não tinha ali.

Texto Injuntivo

A injunção indica como realizar uma ação, aconselha, impõe, instrui o interlocutor. Chamado também de texto instrucional, o tipo de texto injuntivo é utilizado para predizer acontecimentos e comportamentos, nas leis jurídicas.

Características principais:

Normalmente apresenta frases curtas e objetivas, com verbos de comando, com tom imperativo; há também o uso do futuro do presente (10 mandamentos bíblicos e leis diversas).

Essas características são encontradas em vários gêneros textuais, como horóscopos, receitas de bolo, discursos de autoridades, manual de instruções, livros de autoajuda, leis etc.

Marcas de interlocução: vocativo, verbos e pronomes de 2a pessoa ou 1a pessoa do plural, perguntas reflexivas etc.

Exemplo:

Impedidos do Alistamento Eleitoral (art. 5o do Código Eleitoral) – Não podem alistar-se (verbo no imperativo) eleitores: os que não saibam exprimir-se na língua nacional, e os que estejam privados, temporária ou definitivamente dos direitos políticos. Os militares são alistáveis, desde que oficiais, aspirantes a oficiais, guardas-marinha, subtenentes ou suboficiais, sargentos ou alunos das escolas militares de ensino superior para formação de oficiais.

Texto Dialogal

O texto dialogal (ou diálogo, ou dialogismo) normalmente aparece dentro de um texto predominantemente narrativo para materializar o intercâmbio entre personagens (a interlocução), que vão apresentando a história através da conversa; presente no gênero dramático (peças de teatro).

Características principais:

Na organização gráfica, é normal o uso de pontuação (travessões ou aspas) para indicar as falas das personagens (iniciadas por letra maiúscula), antecipada por verbo dicendi (verbo elocutivo) e dois-pontos; resumindo: discurso direto.

Pode conter marcas da linguagem oral, como pausas e retomadas.

Marcadores conversacionais: então, ora pois, pois é, bem, mas vá lá, diz lá, pronto, assim assim, e tal, não pode ser, não me digas, tipo, que tal?, não é (né)?, não é verdade?, não é assim?, não achas?, como assim?, que te parece?, e tu?, como assim?, diz quem? etc.

Exemplo:

Uma senhora entra em uma concessionária de carros famosos. Ela olha ao redor, acha o carro perfeito e começa a examiná-lo. Ao inclinar-se para ver se tinha revestimento de couro, deixa escapar um sonoro pum. Muito envergonhada, ela nervosamente dá uma olhada para ver se alguém notou o pequeno incidente… Porém, ao virar-se, dá de cara com um vendedor que já estava atrás dela, que diz (com a maior cara dura):

– Bom dia, senhora. Como posso ajudá-la hoje? (discurso direto

Muito sem graça, ela pergunta:

– Por favor, qual o preço deste adorável veículo? (discurso direto)

O vendedor responde:

– A senhora me perdoe a sinceridade, mas se a senhora ficou besta somente ao vê-lo, vai ficar doida quando souber o preço. (discurso direto)

Texto dissertativo

O texto dissertativo pode ser expositivo ou argumentativo.

DISSERTAÇÃO EXPOSITIVA

Características principais:

  • Apresenta introdução, desenvolvimento e conclusão.
  • O objetivo não é persuadir, mas meramente explicar, informar.
  • Normalmente a marca da dissertação é o verbo no presente.
  • Amplia-se a ideia central, mas sem subjetividade ou defesa de ponto de vista.
  • Apresenta linguagem clara e imparcial.

EXEMPLO

O texto dissertativo consiste na ampliação, na discussão, no questionamento, na reflexão, na polemização, no debate, na expressão de um ponto de vista, na explicação a respeito de um determinado tema. (introdução) Existem dois tipos de dissertação bem conhecidos: a dissertação expositiva (ou informativa) e a argumentativa (ou opinativa). (desenvolvimento) Portanto, pode-se dissertar simplesmente explicando um assunto, imparcialmente, ou discutindo-o, parcialmente. (conclusão).

Note os verbos no presente: consiste, existem, pode-se dissertar.

DISSERTAÇÃO ARGUMENTATIVA

Este tipo de texto – muito frequente nas provas de concursos! – apresenta posicionamentos pessoais e exposição de ideias apresentadas de forma lógica. Com razoável grau de objetividade, clareza, respeito pelo registro formal da língua e coerência, seu intuito é a defesa de um ponto de vista que convença o interlocutor (leitor ou ouvinte).

Características principais:

  • Presença de estrutura básica (introdução, desenvolvimento e conclusão): ideia principal do texto (tese); argumentos (estratégias argumentativas: causa-efeito, dados estatísticos, testemunho de autoridade, citações, confronto, comparação, fato exemplo, enumeração…); conclusão (síntese dos pontos principais com sugestão/solução).
  • Principais gêneros textuais em que se observam características desse tipo de texto: redação de concursos, artigos de opinião, cartas de leitor, discursos de defesa/acusação, resenhas…
  • Utiliza verbos na 1a pessoa (normalmente nas argumentações informais) e na 3a pessoa do presente do indicativo (normalmente nas argumentações formais) para imprimir uma atemporalidade e um caráter de verdade ao que está sendo dito.
  • Constitui-se de linguagem cuidada, com estruturas lexicais e sintáticas claras, simples e adequadas ao registro culto.
  • Privilegiam-se as estruturas impessoais, com certas modalizações discursivas (indicando noções de possibilidade, certeza ou probabilidade) em vez de juízos de valor ou sentimentos exaltados.
  • Há um cuidado com a progressão temática, isto é, com o desenvolvimento coerente da ideia principal, evitando-se rodeios.
  • Às vezes, usam-se elementos de primeira pessoa como recurso retórico para envolver o leitor no pensamento do autor do texto.
  • Os verbos normalmente se encontram no presente do indicativo ou no futuro do presente.

Exemplo:

A maioria dos problemas existentes em um país em desenvolvimento, como o nosso, podem ser resolvidos com uma eficiente administração política (tese), porque a força governamental certamente se sobrepõe a poderes paralelos, os quais – por negligência de nossos representantes – vêm aterrorizando as grandes metrópoles (tópico frasal: todo este período). Isso ficou claro no confronto entre a força militar do RJ e os traficantes, o que comprovou uma verdade simples: se for do desejo dos políticos uma mudança radical visando o bem-estar da população, isso é plenamente possível (estratégia argumentativa: fato-exemplo). É importante salientar, portanto, que não devemos ficar de mãos atadas à espera de uma atitude do governo só quando o caos se estabelece; o povo tem e sempre terá de colaborar com uma cobrança efetiva (conclusão).

Note que a maior parte dos verbos estão no presente do indicativo, o que imprime um caráter de verdade ao texto. Isso influencia o leitor (ou ouvinte) a aceitar o ponto de vista exposto. Note também que há um desenvolvimento coerente das ideias ao longo do texto, as quais se centram na tese. Por fim, a linguagem polida com estratégia de argumentação consistente tornam o texto bem persuasivo, afinal, a intenção de um texto dissertativo argumentativo é sempre conduzir alguém a aceitar um ponto de vista.

Gênero Textual

  • Gêneros textuais são formas diferentes de expressão comunicativa. As muitas formas de elaboração de um texto se tornam gêneros, de acordo com a intenção do seu produtor. Logo, os gêneros desempenham papéis sociais, próprios do dia a dia: telefonema, sermão, cartas, romance, conto, crônica, poema, bilhete, reportagem jornalística, aula expositiva, reunião de condomínio, notícia jornalística, horóscopo, receita culinária, bula de remédio, lista de compras, cardápio de restaurante, panfletos, charges, quadrinhos, instruções de uso, outdoor, inquérito policial, resenha, edital de concurso, piada, fábula, conversação espontânea, conferência, carta eletrônica, bate-papo por computador, apostilas, aulas virtuais etc.

Alguns gêneros textuais mais cobrados em provas são carta (argumentativa ou não), publicidade, charge, textos literários (poemas, crônicas, fragmentos de contos e romances), quadros e textos jornalísticos (notícias, entrevista, artigo de opinião, reportagem, artigos de opinião, editorial, classificados…).

Exercícios

Analise os trechos a seguir, classificando-os quanto ao modo de organização do discurso (NARRAÇÃO, DESCRIÇÃO, DISSERTAÇÃO).

  1. Na manhã seguinte o seu primeiro desejo foi voltar à casa; mas não teve coragem; via o rosto colérico da mãe, faces contraídas, narinas dilatadas pelo ódio, o olho direito saliente, a penetrar-lhe até o fundo do coração.
  2. Uma das maiores manifestações linguísticas na fronteira entre os séculos XX e XXI é a ideia de globalização como um processo de internacionalização. O fato é que existe um vasto mercado para exportação na América do Sul que não pode ser desconsiderado. Politicamente, esse é o mercado do Brasil, e o Brasil é o mercado para sua viabilização.
  3. “No Antigo Egito, o gato foi honrado e enaltecido. Sendo considerado como um animal santo. Nesta mesma época, a gata transformou-se na representação da deusa Bastef, fêmea do deus sol Rá. […] Na Europa, o gato se desenvolveu com as conquistas romanas. Ele foi admirado por sua beleza e dupla personalidade (ora um selvagem independente, ora um animal doce e afável), e apreciado ainda no século XI quando o rato negro invadiu a Europa. No século XIII desenvolveram-se as superstições e o gato passou de criatura adorada a infernal, associada aos cultos pagãos e a feitiçaria. A Igreja lhe virou as costas. […] No Século XVIII ele voltou majestoso e em perfeito acordo com os poetas, pintores e escritores que prestam homenagem à sua graça e à beleza de seu corpo.”
  4. Há poucos dias, assistindo a um desses debates universitários que a gente pensa que não vão dar em nada, ouvi um raciocínio que não me saiu mais da cabeça. Ouvi-o de um professor – um professor brilhante, é bom que se diga.

5.“A exigência da perfeição física para as modelos profissionais é apenas o sintoma mais visível de uma ansiedade que também massacra a mulher e o homem comuns. Para onde quer que se olhe – televisão, publicidade, revistas femininas –, a pessoa vê rostos perfeitos e corpos

deslumbrantes, magros e nos lugares certos. Nem na rua a dona-de-casa pode andar em paz. Do alto dos outdoors, moças e rapazes impecáveis estão olhando para ela. Pouco a pouco cria-se um sentimento de insatisfação com o próprio corpo. […] Não espanta que 90% das mulheres e 60% dos homens se confessem tão aborrecidos com o rosto ou o corpo que não hesitariam em recorrer a uma cirurgia embelezadora.”

 A SANTA CRUZ DA ESTIVA

No final do século passado, existia, rodeada por pequeno cemitério, outra igrejinha próxima ao local onde hoje está erguida a Capela de Santa Cruz da Estiva. Junto à estrada que passa diante da Capela, residia, então, um humilde lavrador que trabalhava as terras, auxiliado por sete filhos. Rapagões fortes e destemidos, eram o orgulho do pai.

Foi quando surgiu a febre amarela, ceifando vidas sem piedade. Por ironia, ela foi levando um por um os sete filhos do lavrador, deixando-o sozinho com sua dor. Passada a epidemia, o desventurado buscou consolo em Deus. E se propôs, apesar de passar por dificuldades econômicas, a construir uma Capela nova junto à antiga, pedindo ao Senhor Amparo para as almas de seus sete rapazes, conseguindo-lhes, assim, a absolvição dos pecados possivelmente cometidos. Obteve com seus rogos que a dona da fazenda fizesse a doação de uma faixa de terreno e, com os amigos e conhecidos, acertou o empreendimento de um mutirão. Assim foi construída a Capela de Santa Cruz da Estiva, segundo se diz por aí… (Adaptação de lenda de autor desconhecido)

  1. A lenda “A Santa Cruz da Estiva”, quanto ao modo de organização textual e à justificativa para a classificação, pode ser considerada um texto:
  2. a) narrativo, porque relata mudanças progressivas de personagens e coisas através do tempo;
  3. b) descritivo, porque transmite imagens positivas ou negativas dos elementos descritos;
  4. c) dissertativo, porque analisa e interpreta dados da realidade por meio de conceitos abstratos;
  5. d) poético, porque utiliza jogos de figuras de modo a ocultar uma visão de mundo

 A ERA DO TÔ ME ACHANDO

“Bacanas teus óculos”, falei. Leves, classudos, num tom esportivamente escuro, cada lente com uma sombra que subia de baixo para cima, tornavam misterioso o olhar do amigo, um jovem editor.

Comentei que nunca o tinha visto de óculos. Ele devolveu: “Pois é, mas eu estava com a vista cada vez mais cansada, até que fui ao oculista e ele me disse que precisava usar. Dois graus de miopia.

Excesso de leitura. Fazer o quê…”, compungiu-se, o olhar vago, empurrando o par de lentes nariz acima com um charme intelectualmente sofrido. Mês depois, encontrei uma amiga cujo pai é

oftalmologista. Entre anedota e outra, ela me contou que um curioso cliente do pai havia pedido um modelo de óculos sem grau. É, era ele mesmo – o editor. Vivemos tempos curiosos. A cada segundo, e através de todos os meios possíveis, somos expostos aos corpos mais perfeitos, às biografias mais irretocáveis, à pose generalizada de famosos e anônimos. Vaidade pura. Mas um momento: você já experimentou sair por aí todo mulambento, comparecer despenteado a uma entrevista de emprego, esconder de parentes e amigos aquele êxito nos estudos? Impossível, não? Porque, hoje, não ter vaidade – não ter o hábito de apregoar aos quatro cantos, reais e virtuais, o quanto você pode ser atraente, sensacional e único – parece ser um dos maiores pecados da nossa era, esse tempo em que todo mundo parece estar “se achando”.

Por isso, os óculos de araque do meu amigo. No meio altamente intelectualizado em que ele vive, circulando entre Festas Literárias de Paraty e debates seguidos de sessões de autógrafo nas livrarias mais chiques do eixo Rio-São Paulo, ostentar uma armação bacanuda é o equivalente, em termos culturais, às pernas muito bem torneadas – horas de academia – da mocinha da novela das 8. Ou seja: tudo é vaidade. BRESSANE, Ronaldo. Revista vida simples. out. 2009.

  1. Em qual sequência é caracterizada uma descrição?
  2. a) “Leves, classudos, num tom esportivamente escuro, cada lente com uma sombra que subia de baixo para cima,”
  3. b) “‘Pois é, mas eu estava com a vista cada vez mais cansada, até que fui ao oculista…’”
  4. c) “Mês depois, encontrei uma amiga cujo pai é oftalmologista.”
  5. d) “ela me contou que um curioso cliente do pai havia pedido um modelo de óculos sem grau.”
  6. e) “É, era ele mesmo – o editor.”

FUNÇÕES DA LINGUAGEM

O QUE É LINGUAGEM?

É a faculdade que têm os seres vivos de comunicar-se uns com os outros por meio de sinais verbais ou não verbais, exprimindo seus pensamentos e sentimentos, cujo os objetivos principais é a expressão do pensamento e a interação entre eles.

COMUNICAÇÃO

                    Mensagem / Referente

Emissor ===========================Receptor

                       Código / Canal

FUNÇÕES DA LINGUAGEM

Dependendo das intenções relacionadas à exteriorização do texto, o emissor da mensagem pode ressaltar algum aspecto dela para atingir seu objetivo com maior precisão, escolhendo para isso as palavras que surtirão o efeito almejado. Esses recursos de ênfase direcionados voluntariamente pelo autor, visando a causar determinada sensação ou chamar a atenção do receptor, são chamados de funções da linguagem.

As funções da linguagem tratam do relevo dado a um dos seis elementos da comunicação, que acabamos de ver, a depender da proposta ou intento do texto. É certo também que um texto pode apresentar mais de uma função da linguagem que concorre com a função predominante. Organizamos a linguagem de tal modo a atender nossa finalidade. Uma dica: para cada elemento da comunicação, há uma função da linguagem!

FUNÇÃO EMOTIVA OU EXPRESSIVA

Foco da mensagem é o próprio emissor. Ele deseja que suas opiniões e sentimentos sejam percebidos pelo destinatário, produzindo um texto mais subjetivo do que objetivo.

É um texto pessoal, cercado de subjetividade;

Algumas marcas gramaticais indicam que tal função é a predominante no texto: verbos e pronomes de 1a pessoa, frases exclamativas, certas interjeições, vocativos, reticências etc.;

É a linguagem das músicas românticas, dos poemas líricos e afins.

Exemplo:

“Se eu não olhasse para Ezequiel, é provável que não estivesse aqui escrevendo esse livro, porque o meu primeiro ímpeto foi correr ao café e bebê-lo. (…). Chamem-me embora assassino; não serei eu que os desdiga ou contradiga; o meu segundo impulso foi criminoso. Inclinei-me e perguntei a Ezequiel se já tomara café. (…)

Ezequiel abriu a boca. Cheguei-lhe a xícara, tão trêmulo que quase a entornei, mas disposto a fazê-la cair pela goela abaixo, caso o sabor lhe repugnasse, ou a temperatura, porque o café estava frio… Mas não sei que senti que me fez recuar. Pus a xícara em cima da mesa, e dei por mim a beijar doidamente a cabeça do menino.

– Papai! Papai! exclamava Ezequiel.

– Não, não, eu não sou teu pai!”

FUNÇÃO CONATIVA OU APELATIVA

Transferimos o centro de atenção agora para o receptor. A mensagem quer chamar sua atenção, incentivá-lo, seduzi-lo, convencê-lo a praticar determinada conduta ou agir de determinada forma.

É um texto normalmente claro e objetivo que visa à persuasão;

Algumas marcas gramaticais: verbos e pronomes de 2a pessoa (ou 3a pessoa – você), vocativos, imperativos, perguntas ao interlocutor etc.;

É a linguagem das músicas e dos poemas românticos, das propagandas, é típica dos textos publicitários, livros de autoajuda ou textos panfletários.

Exemplos:

  1. “Maria, vamos à praia!”.
  2. – “Mel, tua boca tem o mel / E melhor sabor não há /Que loucura te beijar (…)” (Belo)
  3. – Não deixe de ver aquele filme amanhã, ouviu?

FUNÇÃO POÉTICA

Quando a mensagem é elaborada de forma inovadora e imprevista, utilizando combinações sonoras ou rítmicas, jogos de imagem ou de ideias, temos a manifestação da função poética da linguagem. Essa função é capaz de despertar no leitor prazer estético e surpresa.

A mensagem por si é posta em relevo; mais do que seu conteúdo, o destaque dela se encontra na forma como ela é construída, criativa e inusitadamente;

Exemplos:

– “Antes de dormir, não se esqueça de apagar os insetos.” (Propaganda de inseticida)

– Amar: / Fechei os olhos para não te ver / e a minha boca para não dizer… / E dos meus olhos fechados desceram lágrimas que não enxuguei, / e da minha boca fechada nasceram sussurros / e palavras mudas que te dediquei… / O amor é quando a gente mora um no outro. (Mário Quintana)

FUNÇÃO METALINGUÍSTICA

Ocorre quando a linguagem do texto é o próprio objeto dele, isto é, o texto fala de si mesmo. A função metalinguística relaciona-se com o próprio ato de explorar a linguagem utilizada.

O código usado para estabelecer comunicação é o centro da mensagem, no sentido de que ele é instrumento de explicação de si mesmo; usa-se um signo para explicar a si próprio;

Essa função busca esclarecer, refletir, discutir o processo discursivo, em um ato de comunicação em que se usa a linguagem para falar sobre ela própria;

Encontramos em poemas que falam sobre o fazer poético (metapoema), sambas que abordam esse gênero musical, filmes que discutem o cinema, palavras usadas para explicar outras em dicionários, narradores que refletem sobre a arte de narrar (metanarração) etc.

Exemplos:

– “Samba, / Eterno delírio do compositor / Que nasce da alma, sem pele, sem cor (…)” (Fundo de Quintal)

– “Ódio: aversão intensa geralmente motivada por medo, raiva ou injúria sofrida; odiosidade” (Dicionário Houaiss)

* O programa Vídeo Show é um exemplo forte de metalinguagem, pois se usa o “código” da televisão (programa de TV) para falar sobre a própria televisão (outros programas de TV).

FUNÇÃO REFERENCIAL (INFORMATIVA/DENOTATIVA

Ocorre quando a mensagem é centrada no referente, no assunto, sendo o principal objetivo passar uma informação objetiva e impessoal no texto. Valoriza-se o objeto ou a situação de que se trata a mensagem sem manifestações pessoais ou persuasivas. Como geralmente se fazem presentes em textos científicos ou jornalísticos, a pessoa mais comum é a terceira do singular.

Exemplos:

“Cálculos do economista Renato Fragelli, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), estimam que o setor público brasileiro ficou com dois terços (66,8%) de todo o aumento de produção de 1991 para cá e o setor privado com apenas 33,2%.”.

“Com R$ 3 mi por mês, Neymar é maior milionário do Brasil em Londres” (http://www.uol.com.br)

FUNÇÃO FÁTICA

O canal (contato) é o centro da mensagem; Essa linguagem se manifesta quando a finalidade é testar, estabelecer ou encerrar o contato entre o emissor e o receptor (como em ligações telefônicas, saudações, cumprimentos etc.); Tal função cria as condições básicas para que ocorra a interação verbal; Também designa algumas formas que se usa para chamar atenção.

Algumas marcas linguísticas: “Bom dia/tarde/noite”, “Oi”, “Olá”, “Fala…”, “E aí”, “Estou entendendo”, “Vamos lá?”, “Pronto”, “Atenção”, “Sei…”, “Fui”, “Valeu”, “Tchau” etc.

Exemplo:

– “Fala, galera! Beleza? Boa noite a todos. Bem… vamos lá…” (um professor, antes de iniciar a aula)

– “Alô? Entendeu?”

QUESTÕES DE CONCURSOS

Correlacione as funções de linguagem em consonância com as frases a seguir.

1) Função referencial

2) Função expressiva

3) Função conativa

4) Função fática

5) Função metalinguística

6) Função poética

( ) Vem pra Caixa você também!

( ) Todo objeto não passa de um complemento verbal.

( ) João virá, né?

( ) Petroleiro zarpa de porto líbio com primeira exportação de petróleo rebelde

( ) “Berro pelo aterro, pelo desterro Berro por seu berro, pelo seu erro”

(Caetano Veloso)

( ) A dor tomou conta de todos quando Paulo Rossi fez o terceiro gol da Itália.

  1. a) 3 – 5 – 1 – 4 – 6 – 2
  2. b) 5 – 3 – 4 – 2 – 1 – 3
  3. c) 4 – 2 – 1 – 6 – 5 – 3
  4. d) 2 – 5 – 4 – 3 – 6 – 1
  5. e) 3 – 5 – 4 – 1 – 6 – 2

Identifique a frase em que a função predominante da linguagem é a REFERENCIAL:

  1. a) Dona Casemira vivia sozinha com seu cachorrinho.
  2. b) – Vem, Dudu!
  3. c) – Pobre Dona Casemira…
  4. d) – O que… O que foi que você disse?
  5. e) Um cachorro falando?

Em sucessivos relatórios do ministro da Fazenda em meados da década de 1880, aludia-se ao fato de várias assembleias provinciais estabelecerem impostos sobre a exportação, uma parte da receita dos quais podiam reter, e também sobre a importação, o que era expressamente vedado pela Constituição. Sob pressão de associações comerciais e dos delegados regionais da Fazenda, diversas assembleias foram forçadas a votar a supressão desses impostos. O Visconde Paranaguá, em seu relatório para 1883, informava que apenas Pernambuco, Bahia e Maranhão ainda resistiam. A questão da repartição dos impostos e das competências de cada ente federativo parece, portanto, mais antiga que a própria República.

No texto, narrativa de cunho histórico acerca de tema da economia brasileira, o autor emprega predominantemente linguagem referencial e objetiva.

( ) CERTO

( ) ERRADO

VEJA NOVO MATERIAL EM 06/11/19

Criação Lexical e Os Processos de Formação de Palavras

TIPOLOGIA TEXTUAL (3)

Tipologia e Gêneros Textuais (1)

5 QUESTÕES PARA ANÁLISE

 

 

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