Governo lança painel de dados do Ligue 180, canal de denúncias de violência contra a mulher

De janeiro a julho de 2025, o Ligue 180 registrou 594.118 atendimentos, sendo 86.025 denúncias de violência contra mulheres em todo o país - (crédito: Caio Gomez)

O Ministério das Mulheres lançou, nesta quinta-feira (7/8), o Painel de Dados do Ligue 180, plataforma interativa que sistematiza os atendimentos da Central de Atendimento à Mulher. A medida marca os 19 anos da Lei Maria da Penha e integra as ações do Agosto Lilás, campanha de combate à violência de gênero. Segundo a pasta, a ferramenta visa ampliar a transparência, qualificar o debate público e subsidiar a formulação de políticas públicas com base em dados concretos.

De janeiro a julho de 2025, o Ligue 180 registrou 594.118 atendimentos, sendo 86.025 denúncias de violência contra mulheres em todo o país. Os canais de acesso mais utilizados foram a ligação telefônica (84,2%), e-mail (13,5%), WhatsApp (2,3%) e videochamada em Libras (menos de 1%). A maioria das denúncias refere-se a casos de violência física (41,4%), seguidos por violência psicológica (27,9%) e violência sexual (3,6%). Em 40,7% das situações relatadas, a violência ocorreu dentro da casa da própria vítima.

“Dar visibilidade aos dados é uma forma de responsabilizar o Estado por respostas mais eficazes, inclusivas e baseadas em evidências. Atender a esse princípio de transparência ativa é um pedido direto do presidente Lula e um compromisso que o Ministério das Mulheres assume com firmeza”, afirmou a ministra Márcia Lopes durante o lançamento da ferramenta.

Os dados revelam ainda o recorte racial e social das violências. Do total de vítimas, 57,7% são mulheres heterossexuais e 44,3% são negras. Entre os suspeitos, 49,2% também são heterossexuais e 41,4% são negros. Em quase metade das denúncias (47,6%), o agressor era parceiro ou ex-parceiro da vítima. Outros casos envolveram vizinhos (5,3%), pessoas com outros vínculos (11,5%) e situações em que o tipo de relação não foi declarado (8,8%).

O Ministério das Mulheres também destacou que muitas mulheres convivem com a violência por longos períodos antes de buscar ajuda. Em quase 22% das denúncias, os episódios de violência começaram há mais de um ano, sendo que 9% ultrapassam cinco anos e 8,6% relatam mais de uma década de agressões. O dado reforça, segundo a pasta, a necessidade de ampliar o acesso rápido à rede de apoio e fortalecer ações de prevenção.

Além do painel, o Ligue 180 passou por uma reestruturação recente, com melhorias tecnológicas, novos canais de atendimento e reforço na capacitação das equipes, especialmente para acolher mulheres indígenas, negras, com deficiência e LGBTQIA+. A central agora conta com 288 atendentes especializadas e 332 profissionais no total.

Também foram firmados 11 acordos de cooperação técnica com estados e o Conselho Nacional do Ministério Público para qualificar o fluxo de atendimento. Desde 2024, a Central opera de forma independente da Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos.

FFonte:Correio Braziliense

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