O presidente Luiz Inácio Lula da Silva debateu nesta quinta-feira (7/8) com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, as sobretaxas impostas pelos Estados Unidos aos dois países. Os dois países foram atingidos com a mais alta alíquota, de 50%
A conversa, por telefone, durou uma hora. Lula e Modi concordaram que é preciso “fazer frente” ao cenário atual, e defenderam o aumento da relação em áreas como comércio, defesa, energia, minerais críticos, saúde e inclusão digital.
“Os líderes discutiram o cenário econômico internacional e a imposição de tarifas unilaterais. Brasil e Índia são, até o momento, os dois países mais afetados”, diz nota emitida pelo Planalto sobre o telefonema.
“Ambos reafirmaram a importância em defender o multilateralismo e a necessidade de fazer frente aos desafios da conjuntura, além de explorar possibilidades de maior integração entre os dois países”, acrescenta.
Os dois chefes de Estado também trocaram informações sobre o Pix e sobre o Upi, plataforma indiana de pagamento. Para a ampliação do comércio, a meta é aumentar o fluxo para mais de US$ 20 bilhões até 2030. Atualmente, é de US$ 12 bilhões.
Lula irá à Índia no ano que vem
O presidente Lula também confirmou sua viagem à Índia no início do próximo ano, em contrapartida à visita de Estado realizada por Modi em julho. Em preparação, o vice-presidente Geraldo Alckmin irá ao país asiático em outubro, para participar de reunião do Mecanismo de Monitoramento de Comércio.
Brasil e Índia viraram os principais alvos do tarifaço de Trump nas últimas semanas. No caso brasileiro, a tarifa de 50% foi imposta em meio a uma tentativa de interferência do republicano no Judiciário em defesa de seu aliado, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Já a tarifa sobre a Índia, de 25%, subiu para 50% por conta da compra de petróleo da Rússia pelo governo de Modi. Além disso, ambos os países são membros fundadores dos Brics, bloco também alvo de Trump por defender a realização de transações comerciais sem o dólar.