O professor de História morreu em decorrência da Covid-19, aos 60 anos de idade, após passar mais de 20 dias internado para tratar da doença.

Morreu, na noite dessa quarta-feira (14), em São Luís, o ex-vereador da capital e professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IFMA) do Monte Castelo, Joan Gabriel Botelho.

O professor de História morreu em decorrência da Covid-19, aos 60 anos de idade, após passar mais de 20 dias internado para tratar da doença.

O anúncio da morte dele foi dada por um dos filhos do professor, por meio das redes sociais.

“É, meu pai, essa batalha o senhor não conseguiu vencer, agora é fazer história lá no céu, com o Senhor Jesus. O mestre dos magos agora descansa em um lugar aonde não há mais dor nem sofrimento. Agora só nos resta lembranças e a saudade. Você fez história em vida e não esquecerei jamais. Agora não está mais aqui comigo em vida, mas teu espírito me acompanha e junto de Deus, está em um lugar melhor. Eu te amo, meu pai, sempre te amarei”, disse o filho, que não se identificou na postagem, que foi feita no perfil do professor no Instagram.

Joan Gabriel Botelho era graduado em História e Direito pela Universidade Federal do Maranhão. Ele tinha experiência na área de História, com ênfase em História do Brasil República e História do Maranhão.

Ele era professor do IFMA, campus Monte Castelo, em São Luís, além de ter sido diretor do Núcleo de Estudos Avançados do IFMA no município de Santa Rita. O professor também dava aulas em alguns cursos preparatórios na capital.

Além da vida acadêmica, Joan também atuou na política. Ele foi vereador pelo Partido dos Trabalhadores (PT) entre os anos de 1996 a 2000.

Em 2019, o professor lançou a terceira edição de um livro didático sobre a história do Maranhão, intitulado “Conhecendo e debatendo a história do Maranhão”.

O livro, segundo Joan Botelho, tem por objetivo atender aos estudantes de Ensino Médio, vestibulandos e candidatos de concursos públicos. A obra está dividida em três partes: História do Maranhão Colônia, Império e República. A primeira edição data de 2007 e a segunda de 2012.

O IFMA divulgou nota de pesar pela morte do professor, afirmando que o cortejo de sepultamento estava previsto para o fim da manhã desta quinta, saindo do Hospital Universitário Materno Infantil, em direção ao Cemitério Parque da Saudade, no Vinhais, na capital maranhense.

Leia a nota na íntegra:

É com profundo sentimento de pesar que o Instituto Federal do Maranhão informa o falecimento do professor Joan Gabriel Botelho, 60 anos, ocorrido na noite da quarta-feira, 14. Docente de História, Joan Botelho era lotado no Departamento de Ciências Humanas e Sociais do Campus São Luís – Monte Castelo. Ele ingressou na instituição em 2008.

O cortejo de sepultamento está previsto para partir, às 11:30 h, do Hospital Universitário Materno Infantil, em direção ao Cemitério Parque da Saudade, no Vinhais, na capital maranhense.

A instituição se solidariza com toda comunidade do Campus São Luís – Monte Castelo, familiares e amigos do professor Joan Botelho neste momento de tanta dor e sofrimento.

Quem também manifestou pesar foi Universidade Federal do Maranhão, a qual destacou que Joan Botelho formou várias gerações com o seu conhecimento profundo e crítico sobre História do Brasil e do Maranhão.

Leia da nota na íntegra:

É com profundo pesar que a Universidade Federal do Maranhão comunica o falecimento do professor Joan Botelho, irmão da professora Jaciara Botelho, do departamento de Letras, da servidora Jacione Botelho, do Hospital Universitário, e tio da bibliotecaria Regycleia Botelho e da professora Regysane Botelho, também do departamento de Letras, ocorrido nesta quinta-feira, 15.

Joan Botelho formou várias gerações com o seu conhecimento profundo e crítico sobre História do Brasil e do Maranhão. Foi professor em escolas como Batista e Santa Tereza, além de um dos fundadores do Cursinho Aprovação nos anos 1990, em São Luís. Graduado em História pela UFMA, Joan era mestre em Políticas Públicas, professor da UEMA, tornando-se, tempos depois, professor do IFMA e diretor do câmpus de Itapecuru.

Era um pesquisador incansável e um professor apaixonado pela história. Foi vereador em São Luís pelo PT, no final dos anos 1990, junto com Helena Heluy, formavam uma dupla bancada popular. Como vereador, Joan apoiou várias causas populares, entre elas a luta pela moradia, enfrentando a violência brutal em ocupações como a da Cidade Olímpica, Ipase de Baixo e Cohatrac V, denunciando os avisos de poder. Ele Denunciou diversas irregularidades na Câmara e se tornou um parlamentar polêmico pela sua atuação aguerrida.

O professor Joan Botelho era um apaixonado pela cultura maranhense, a começar pelo Moto, seu time do coração, mas também a música e a poesia popular. Dele ninguém ganhava e pegava bolo quem não acertasse a música e a autoria. Joan não precisava de cargos públicos para assumir suas posições políticas. Das aulas empolgantes aos debates calorosos, ouvia-se sempre dele: “né papai?”. Não escapava um em casa ou no círculo de convivência que não ganhasse um apelido.

Suas alunas queridas, ele as chamava carinhosamente de “bombom de alho”. Mulheres valentes eram “dona Onça”. Essas são algumas características e registros do amigo, companheiro, irmão e eterno professor que deu um exemplo de vida simples, de amor à educação e de luta:

A Universidade se solidariza com familiares e amigos e presta seus votos de profundo pesar.

A professora de História do IFMA, também divulgou nota de pesar pela morte de Joan Botelho, destacando que a “história do Maranhão perde um ícone”.

Leia da nota na íntegra:

Joan Botelho sempre amou a vida!

O conheci em uma banca para professor substituto e fui acolhida desde o primeiro instante. Depois de alguns anos, retornei como colega de departamento e vivenciei ele falar com amor sobre a história do Maranhão, sobre o Moto Clube, sobre seus planos. Ele nunca deixou de sonhar!

A história do Maranhão perde um ícone. O Departamento de Humanas e Sociais do Campus Monte Castelo perde um grande amigo e companheiro.

Eu sentirei saudades demais de acompanhá-lo nas cinco semanas de Olimpíada Nacional em História do Brasil.

Lembro de um áudio de Joan no nosso grupo de história: ele falava sobre a primeira internação que havia durado 32 dias ano passado e tentava dizer que talvez ele tivesse que perder a perna, que tanto utilizou pra fazer gols, como um bom motense. E afirmava: mas eu posso até vir a perder a perna que tanto fez gol e com a qual já corri demais, só que eu nunca vou perder as memórias do que a minha perna já foi capaz de fazer.

Que todos os anjos e espíritos de luz te guiem para teu novo lar espiritual. Que Deus conforte a família e os filhos, que muito ainda tinham a aprender com esse grande mestre.

Olorun Kosi Purê (Deus lhe dê o descanso eterno!)

Pyetra Cutrim Lins Damasceno

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