Não há como pensar em construção do preconceito sem considerar a mesma como um processo sócio-cultural, onde padrões de normalidade são estabelecidos em detrimento das singularidades e particularidades de cada grupo cultural. Cada grupo social é único e cada indivíduo se constrói dentro do grupo a que pertence e participa na construção do mesmo.

Se existem diferentes formas de expressão humana, por que considerar apenas algumas normais e excluir outras?  A demarcação das diferenças leva à separação entre as pessoas e esta, por sua vez, é a raiz do preconceito. O preconceito só é possível, quando a exclusão de alguns grupos impede o convívio de outras pessoas com o mesmo. Na impossibilidade do convívio, tais pessoas passam a conceber julgamentos antecipados, sem fundamentações coerentes. A experiência de conviver não combina com o preconceito!

Quando transpomos a questão do preconceito para a educação, percebemos   que o processo educativo foi construído com base em metodologias pensadas para alunos “normais” e tais metodologias negam a educação para a autonomia e para a cidadania, construídas no contato com o outro. Portanto, torna-se necessário desmistificar os padrões de normalidade para promover uma educação que favoreça o lidar com a diversidade, dentro e fora da escola.

Aos deficientes, como um grupo social e cultural, deve ser dada a oportunidade para narrarem sua própria vida, pois estes não tem o direito à palavra. Deve-se, portanto, passar do “discurso de” para o “discurso sobre”, transformando os deficientes em protagonistas de sua história, em sujeitos de direitos; pois a inclusão sem garantia de direitos torna-se exclusão.

Nesse contexto, a escola deve deixar de ser o “lugar do falar” para tornar-se o “lugar do escutar”.  O deficiente deve ser acolhido e respeitado e a ele dever ser dado o direito de aparecer, de ter acesso e permanência em uma escola de qualidade. E deve se considerar que o direito à educação é a soma entre a política pública e a forma como esta é vivida dentro da escola, pois a inclusão não ocorre por decreto, mas pela aceitação da diversidade.

Diante deste cenário, o AEE vem para contribuir com uma educação que dê direito de voz ao deficiente, que lhe propicie o desenvolvimento de sua autonomia e lhe traga inserção social. O educando deve escrever sua história na interação com o mundo e mediado por este. Deve ter o direito à vida e oportunidades de ter contato com desafios que podem ser superados, extinguindo-se as práticas onde só lhes são proporcionadas demandas simplificadas, porque acredita-se apenas em suas limitações e deixa-se de olhar para suas potencialidades.

O objetivo do AEE é remover as barreiras atitudinais e físicas que evidenciam a deficiência. Ao aluno deve ser oportunizada a transferência da escola especial para a comum, viabilizando recursos e serviços especializados para seu atendimento. Os currículos, métodos, técnicas e recursos devem ser organizados com base na diversidade, favorecendo o acesso dos alunos portadores de NEE aos mesmos.

Estes são alguns parâmetros legais para a educação dos deficientes e devem levar à reflexões que surtam efeitos na prática. Contudo, a realidade que se percebe nas escolas é a existência de conteúdos reunidos em um currículo fechado, pouco flexível e que engessa as possibilidades de trabalho do professor com os alunos especiais. Os professores sentem muitas dificuldades em trabalhar o currículo escolar com os alunos deficientes, acabam por realizar algumas adaptações que, na maioria das vezes, os excluem do que é proposto ao restante da sala.

Portanto, há que se pensar em formas de ajudar o professor da sala regular a desenvolver metodologias para trabalhar com o aluno portador de NEE, de forma que este seja incluso de fato na rotina da sala de aula, interagindo com os colegas e construindo sua história e suas aprendizagens a partir desta interação.

Quanto maior a diversidade de atividades e de técnicas para trabalhar os conteúdos do ensino comum, maiores serão as possibilidades de atingir todos os alunos, deficientes ou não. Contudo, isso demanda uma série de recursos que, nem sempre, existem nas escolas, principalmente nas públicas.

Portanto, a busca por uma educação inclusiva está apenas no começo. Mudamos alguns paradigmas, excluímos alguns preconceitos, mas ainda estamos percorrendo o caminho e teremos muitos obstáculos a vencer!

Referências bibliográficas

BARBOSA, Flávio Alves. Da segregação ao protagonismo.

BARBOSA, Flávio Alves. Nenhum a menos.

CARVALHO, Lorena Resende. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva Inclusiva: Marcos Legais e Referências Conceituais.

CUSTÓDIO, Willian Gomes. Cultura e preconceito como fenômenos socialmente construídos.

AEE IEUDIMAR

 

 

 

 

 

 

 

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