A igreja não aceitou o novo jeito de pensar sobre    mundo e o homem. Sua postura foi intransigente e desafiadora. Ela não poderia aceitar as novas ideias, pois elas valorizavam a crença no indivíduo e nos valores humanos em prejuízo de sua doutrina, que afirmava   ser o homem possuídos de uma natureza pecadora, suja condenada à tristeza e sedenta da misericórdia   de Deus.

Os filósofos do período passaram a expor suas ideias e proclamavam a doutrina cristã

Por que a frase te conhece a ti mesmo, ó criatura divina vestida em trajes humanos confrontava os princípios da igreja?

A frase quer dizer que devemos nos conhecer, nos auto-analisar, saber quem somos, o que queremos e do gostamos. Conhecer a si próprio é o primeiro passo para a busca da Verdade. A frase ” ó linhagem divina vestida com trajes mortais”, refere-se a nós homens. Possuímos uma alma imortal, uma essência do Divino, uma parte de Deus, que está “vestida” com esse corpo mortal, que um dia acabará, nosso corpo é apenas o invólucro que cobre nossa alma

 o homem é um ser revestido de dignidade e sabedoria

Essas frases representam o pensamento dos filósofos do Renascimento, que defendiam o resgate dos valores gregos. Nesse período, o homem passou a ousar ser ele mesmo, sem medo e sem pudor. A nova concepção afirmava que deusa havia criado o ser humano não apenas para adorá-lo, mas para que pudesse desfrutar de si próprio, de seu corpo, de sua natureza. O Prazer seria natural do ser humano, não deveria ser negado.

Esse resgate trouxe consigo a valorização   do indivíduo. O novo ideal passou a ser o de um homem que atuaria em todos os aspectos da vida :Na cultura, na arte, na ciência, enfim na sociedade.

Uma prática retomada nesse período foi a disseção de corpos. Praticada na antiguidade e proibida na Idade   Média, as dissecações de cadáveres proporcionaram aos renascentistas a evolução do estudo da anatomia humana, com o objetivo de descobrir sua constituição. Essa prática, além de ter sido importante para a medicina, abriu caminho também para as artes plástica, que voltaram a representar o homem nu

HUMANISMO DO RENASCIMENTO E HUMANISMO DA ANTIGUIDADE

O Humanismo do renascimento foi muito mais marcado pelo individualismo do que o humanismo da antiguidade. Não somos apenas pessoas; somos indivíduos singulares. Este pensamento podia levar a uma adoração irrestrita do gênio. O ideal passou a ser, então, aquilo que chamamos de homem renascentista. Entendemos por isto um homem que se ocupa de todos os aspectos da vida, da arte e da ciência. Além disso, a Nova visão do homem mostrava-se também no interesse pela anatomia do corpo humano. Como na antiguidade, começaram se a dissecar os mortos, a fim de descobrir como é constituído o corpo humano. E isto era importante tanto para a medicina quanto para arte. Na arte voltaram a ser comuns as representações de nus humanos. Podemos dizer que isso passou a acontecer depois de mil anos de pudor e vergonha. O homem ousava novamente ser ele mesmo. Ele não precisava mais ter vergonha de nada.

A nova imagem do homem levou a uma concepção de vida absolutamente nova. O homem não existia apenas para servir a Deus, mas também para ser ele e próprio. Por esta razão, o homem podia desfrutar aqui e agora de sua própria vida. E se o homem podia se desenvolver livremente, ele tinha possibilidade ilimitadas. Seu objetivo era ultrapassar todas as fronteiras. Os homens daquela época passaram a ser muito mais consciente de seu próprio tempo. Todos os domínios do saber começaram a experimentar um período singular de Apogeu: A arte e arquitetura, literatura e música, filosofia e ciência

O mundo de Sofia página 218 a 219

Se os cristãos modernos pudessem visitar a Itália do Renascimento,
provavelmente ficariam muito surpresos, para não dizer chocados, com
o que veriam acontecendo na igreja, e até mesmo um católico romano
haveria de levantar as sobrancelhas. O cardeal veneziano Gasparo
Contarini descreve como os homens entravam na igreja “conversando
entre eles sobre comércio, sobre guerras e muitas vezes até sobre amor.
Com muita frequência era proibido andar pela igreja, principalmente
durante a missa em Modena, em 1463. por exemplo, e em Milão, em
1530), com tanta frequência que nos leva a concluir que isso devia
acontecer   o tempo todo. Podia-se esperar encontrar na igreja mendigos e Cavalos, jogadores, professores dando aulas, e reuniões políticas. Os paroquianos comiam bebiam dançavam dentro da igreja para celebrar as festas maiores como as do santo patrona. As igrejas podiam ser usadas como armazém de grão ou madeira. O relatório de uma visita  à diocese de Mântua, em 1535, informa que em determinada igreja o capelão tem
uma cozinha, camas e outras coisas que não são muito próprias para um local    sagrado; mas…. ele pode ser desculpado porque sua casa é muito pequena” (Tacchi-Venturi, 1910. P.179  Putelli, 1935, p.16). Coisas valiosas podiam ser guardadas na sacristia; afinal, não havia muitos outros lugares

[…]BURKE, Peter. O renascimento italiano. São Paulo Nova Alexandria 2008. 0.48

1. Cite atitudes presentes no texto que eram características do Renascimento.
2. por que essas atitudes poderiam ser tomadas durante o renascimento, mas não no período anterior a ele?

  1. Qual é a grande mudança sinalizada por meio das atitudes mencionadas no texto?
  2. O que os membros da igreja católica devem ter pensado sobre tudo isso? Aceitaram a nova visão sobre o homem? Por quê?​

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