A Secretaria de Estado da Educação (Seduc), por meio da Supervisão de Modalidades e Diversidades Educacionais, realizou, nesta quarta-feira (23), dois webinários como parte da programação da VIII Semana da Pessoa com Deficiência. A ação trouxe como objetivos: o fortalecimento do debate sobre a educação inclusiva e, ao mesmo tempo, compartilhar experiências da Educação Especial, em tempos de pandemia.

O encontro remoto contou com a participação de profissionais de educação dos Centros de Educação Especial: Helena Antipoff, Centro de Apoio Pedagógico ao Deficiente Visual (CAP), Padre João Mohana, Centro de Apoio à Pessoa com Surdez (CAS) e Núcleo de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação (NAAH/S), além de professores de diversas Unidades Regionais de Educação (URE’s); e secretária adjunta de Direitos Humanos e Participação Popular (Sedihpop), Beatriz Carvalho, representando o secretário Francisco Gonçalves.

Na abertura, houve apresentação cultural com Augusto Neto, estudante/artista autista que brindou os participantes com música autoral, que fala do amor que o transformou em ‘artista especial’.

“Já é uma prática nossa, da secretaria, comemorarmos a Semana da Pessoa com Deficiência. Quando eu digo comemorarmos é porque precisamos trazer à tona todas as ações que estão sendo feitas da rede estadual e o que, ainda, precisamos fazer, todas as garantias de direitos que nós precisamos lutar, todos os passos que nós precisamos ainda dar. Organizamos esse webinário como uma forma de celebração. É um momento em que precisamos apresentar os trabalhos que estão sendo feitos nas escolas através do ensino remoto, como é que nós temos construído esse trabalho, como nós temos pensado, planejado e executado com as famílias, com as comunidades e trazer isso para o debate”, pontuou a supervisora de Modalidades e Diversidades Educacionais da Seduc, Ana Neri, que representou o secretário Felipe Camarão no evento.

A secretária adjunta da Sedihpop destacou a importância dos debates sobre a educação inclusiva e ressaltou, ainda, a necessidade de todos darem as mãos na luta contra o desmonte de direitos históricos adquiridos pela pessoa com deficiência.

“Estamos lutando para combater os possíveis retrocessos que muitas vezes vêm de forma sorrateira, como o que está acontecendo nesse momento, onde a Lei Brasileira da Inclusão, que é a lei mais atual, mais moderna e avançada que temos na questão dos direitos das pessoas com deficiência, e está sofrendo ameaças. Nesse momento, nos preocupa uma portaria editada pelo governo federal que altera o modo de avaliação da política da pessoa com deficiência, transferindo apenas para os médicos peritos do INSS. Essa portaria joga por terra todos os critérios elaborados por uma equipe multiprofissional especializada da Universidade de Brasília. Esses direitos estão ameaçados”, disse a secretária adjunta da Sedihpop, Beatriz Carvalho.

Inclusão escolar

A primeira palestra, que trouxe como tema: “Inclusão escolar, as novas tendências e os desafios dos docentes: A dimensão subjetiva dos professores e suas determinações”, foi ministrada pelo prof. Dr. Ângelo Oliveira, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará-IFCE/Campus Acaraú, especialista em Educação Inclusiva, Psicomotricidade Clínica e membro da Associação Brasileira dos Pesquisadores em Educação Especial e da Sociedade Brasileira de Psicomotricidade-Capítulo Ceará.  E foi mediada pela professora Rosane da Silva Ferreira, assessora de Educação Especial da Seduc.

Ângelo Oliveira destacou a importância de se repensar o modelo de escola que, para ele, ainda é excludente e segregadora. “Hoje nós temos uma escola se alinha com a proposta capitalista, uma escola utilitária que impõe performance, ritmo e estilos de aprendizagem. As atividades são propostas com base na deficiência, e não nas possibilidades apresentadas pelo sujeito, ao mesmo tempo que se espera que esse aluno apresente os mesmos resultados. Não tem como! A Inclusão requer a ruptura com esse padrão. A prática inclusiva tem que romper com esse padrão. Temos que repensar a prática pedagógica inclusiva. Há que se considerar as múltiplas formas de aprender, as trocas, os processos de cooperatividade”, ressaltou Ângelo Oliveira.

Na parte da tarde, a programação continuou com troca de experiências de professores e gestores escolares dos Centros e Núcleo de Ensino de Educação Especial do Maranhão, que puderam apresentar atividades que desenvolveram e estão desenvolvendo de forma remota para garantir que conteúdos pedagógicos cheguem aos seus alunos, nesse momento de pandemia da Covid 19. As equipes gestoras apresentaram as ações para garantir atendimento da comunidade escolar e alunos com deficiência da rede pública de ensino, em tempos de pandemia.

Fonte: Seduc
Fotos: Divulgação
23/09/2020

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