Oftalmologista Álvaro Botentuit critica a política de tratamento do glaucoma no Maranhão e defende mudanças urgentes

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Brasília, DF – Em uma audiência na Câmara dos Deputados a convite do deputado Duarte Júnior, o oftalmologista Álvaro Bruno Botentuit fez um forte alerta sobre a situação do glaucoma no Maranhão, destacando a doença como a principal causa de cegueira irreversível no Brasil. Durante sua fala, o médico apresentou uma análise crítica sobre os desafios do sistema de saúde e propôs soluções para combater a perda de visão.

O Dr. Álvaro Botentuit enfatizou que a cegueira causada pelo glaucoma é devastadora e, em muitos casos, poderia ser evitada com um diagnóstico e tratamento adequados. Ele ressaltou que a falta de acesso e de exames específicos levam à perda de visão de muitos maranhenses.

Os pontos cruciais do discurso

O médico apresentou seis pontos principais para combater a doença, dos quais dois foram detalhados durante a audiência.

   1º A falsa segurança das consultas em óticas

O Dr. Botentuit iniciou sua crítica apontando para a prática perigosa das consultas em óticas. Ele classificou a cultura como algo que deve ser “exterminado do país”, pois leva pacientes a acreditarem que estão recebendo um cuidado oftalmológico completo. “Recebo inúmeros pacientes que, por mais de 10 anos, se consultam em óticas, compram óculos caríssimos e acreditam que a saúde de seus olhos está perfeita. A verdade é que a pressão intraocular, principal indicador de glaucoma, nunca foi sequer medida”, afirmou.

Como solução, ele sugeriu a criação de uma lei que torne obrigatória a medição da pressão intraocular em toda prescrição de óculos. Segundo ele, essa medida simples já seria capaz de frear o avanço da cegueira em boa parte dos casos, uma vez que obrigaria a realização do exame mais importante para o diagnóstico.

   2º Falhas no acesso a exames pelo SUS

Em seguida, o oftalmologista criticou a falta de exames essenciais no Sistema Único de Saúde (SUS) no Maranhão. Segundo ele, o programa de combate ao glaucoma, embora exista, tem falhas sérias. Pacientes, muitas vezes, recebem apenas um colírio sem o devido acompanhamento médico. O Dr. Botentuit relatou ter vídeos e depoimentos de pacientes que usam o mesmo medicamento por anos, enquanto a pressão do olho permanece alta. O médico também chamou a atenção para a ausência de um exame crucial no rol do SUS, a Tomografia de Coerência Óptica (OCT).

“O exame mais importante para o diagnóstico do glaucoma, o OCT, não está incluído no rol do SUS. Isso é algo que precisa ser votado e levado em consideração, pois exames como o campo visual e a retinografia, que estão disponíveis, só detectam a doença em estágios avançados”, concluiu.

        3ºAlto custo dos colírios

O Dr. Botentuit explicou que o custo elevado dos colírios para tratamento limita o acesso, especialmente para a população idosa.

        4ºTratamento com laser

Ele sugeriu o uso de um tratamento a laser de baixo custo, o SLT (Trabeculoplastia Seletiva a Laser), que pode durar até dois anos e seria uma alternativa aos colírios.

       5ºDescentralização dos serviços

O médico defendeu a descentralização dos serviços de oftalmologia no Maranhão, que atualmente estão concentrados na capital, São Luís.

     6ºCompra de colírios em farmácias

O Dr. Álvaro sugeriu que os colírios sejam comprados diretamente em farmácias com desconto, em vez de serem distribuídos por clínicas, para facilitar a vida do paciente.

Para concluir, o médico propôs que a aferição da pressão do olho e um teste de visão sejam incluídos como exames obrigatórios na emissão da carteira de motorista e destacou a importância de campanhas de conscientização e capacitação para agentes de saúde.

Também estiveram presentes e usaram a palavra, abordando o mesmo tema: a Dra. Bruna Bianca Masoro Duarte Chaves, Dr. Felipe Pereira Barros Maia e a Dra. Raiça Melo Assunção Botentuit Castro, todos médicos oftalmologistas.

As falas dos outros médicos na audiência sobre o glaucoma

Além do Dr. Álvaro Botentuit, outros três oftalmologistas usaram a palavra para reforçar a gravidade do glaucoma e apresentar sugestões. As principais contribuições de cada um foram:

Dr. Felipe Pereira Barros Maia

O Dr. Felipe Maia trouxe um relato pessoal sobre um paciente caminhoneiro que descobriu a doença em estágio avançado, destacando o impacto socioeconômico da cegueira. Ele reforçou a importância do diagnóstico precoce com o exame de OCT (Tomografia de Coerência Óptica) e a necessidade de o SUS valorizar o reembolso do tratamento a laser (SLT), já que o valor atual não cobre os custos do equipamento. Ele também abordou a falta de adesão dos pacientes ao tratamento com colírios, pois muitos não sentem os sintomas da doença.

Dra. Raísa Helen Assunção Botentuit Castro

A Dra. Raísa Botentuit chamou a atenção para o fato de o glaucoma ser conhecido como o “ladrão silencioso da visão”, já que não apresenta sintomas nas fases iniciais. Ela listou os principais grupos de risco (pessoas acima de 40 anos, com histórico familiar, diabetes, hipertensão e de raça negra) e propôs três ações-chave:

Rastreamento precoce e ativo nos grupos de risco.

Integração da atenção primária com oftalmologistas.

Campanhas de conscientização para informar a população sobre a doença.

Dra. Bruna Bianca Masoro Duarte Chaves

A Dra. Bruna Chaves reforçou que 50% das pessoas com glaucoma não sabem que têm a doença. Ela explicou a fisiologia do glaucoma (aumento da pressão intraocular que danifica o nervo óptico) e ressaltou a irreversibilidade dos danos. A médica também alertou que o glaucoma pode afetar crianças e que o uso crônico de corticoides é um fator de risco. Por fim, ela destacou a desigualdade regional no acesso ao tratamento e concluiu que o glaucoma é um problema social e econômico, não apenas médico, pedindo mais inclusão para pessoas com deficiência visual no mercado de trabalho.

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