Na manhã dessa terça-feira, 29/01, a Polícia prendeu cinco engenheiros  que atestaram a segurança de barragem Mina do Feijão, da Vale, em Brumadinho (MG), que rompeu na sexta-feira.

Em Minas, foram três funcionários da Vale.

Em São Paulo, dois da empresa alemã TÜV SÜD, que presta serviço para a mineradora.

São prisões temporárias por 30 dias,  prazo que poderá ser postergado dependendo das investigações.

Elas foram determinadas pela juíza Perla Saliba Brito, da Justiça de Minas Gerais.

Último balanço da Defesa Civil de MG confirmou que 65 pessoas morreram e 279 ainda estão desaparecidas.

A propósito dessas prisões e do momento político, o jornalista Rodrigo Vianna fez uma reflexão preocupante num grupo de whatsapp de blogueiros.

Ela é um alerta para todos nós.

Com a autorização do Rodrigo, reproduzimos abaixo:

Amigos,

Algo que vai passando batido no meio do caos de lama/cirurgia/Venezuela: o estado policial se consolida!

A nossa fala (justa e correta) de que há abusos e partidarismo no Judiciário se dissolve quando a Polícia prende engenheiros da Vale antes mesmo de qualquer instrução criminal. É um abuso.

Mas a impressão é de que, pelo menos, agora “todo mundo paga”.A sensação de injustiça no povão  é gigante … e daí vem essa vontade torta de que “algo seja feito com os poderosos”.

Estou aqui na região de Brumadinho. E observo isso de perto.

Confesso que eu também (mesmo vacinado contra os riscos do estado policial) chego inconscientemente a comemorar que “alguém pague por esse absurdo”.

Mas aí pensamos: pra que prender antes de qualquer instrução? É um show.

A onda conservadora do “prende e arrebenta” consolida uma nova hegemonia no Brasil . Por baixo. Nas frestas…

E qualquer um de nós pode ser vítima.

Vamos fazendo no Brasil uma espécie de revolução francesa policial: essa coisa de “justiçamento” policial e midiático veio pra ficar. E vai pegar gente de várias linhas, a depender da virada do vento e da maré…

Claro que a Vale tem responsabilidade na tragédia monumental.

Não estou aqui a diminuir o tamanho do crime. Mas prender 3 ou 4 engenheiros parece menos uma resposta adulta e muito mais a tentativa de jogar lenha na fogueira de uma justiça justiceira.

Parece que todo o problema é da “sem vergonhice” de engenheiros “vagabundos”.

E não se toca na lógica perversa que faz a empresa privatizada abrir mão de controles ambientais “caros” para vender nosso minério (o solo do Brasil) por uma ninharia, com alta lucratividade.

É triste ver o tamanho da tragédia. E mais triste o espetáculo policial e midiático. Triste e perigoso.

 

 

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