CNI propõe “Diálogo Empresarial para uma Economia de Baixo Carbono”, em Dubai

De acordo com a Confederação Nacional da Indústrias serão necessários R$ 40 bilhões até 2050 para descarbonizar a indústria brasileira

A Confederação Nacional das Indústrias (CNI) criou uma programação simultânea à COP 28 para discutir a economia de baixo carbono e os custos dessa implantação. O encontro, denominado “Diálogo Empresarial para uma Economia de Baixo Carbono”, aconteceu no último dia 06 de dezembro, em um hotel de Dubai, quando a CNI apresentou documento com os pilares transição energética; mercado de carbono; economia circular e conservação florestal. Com base neles, a entidade calcula que serão necessários cerca de R$40 bilhões, até 2050, para descarbonizar a indústria brasileira.

Davi Bomtempo, gerente executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, disse que a indústria vem trabalhando e investindo processos que garantem a redução das emissão de gases causadores de efeito estufa. Contudo, segundo ele, ainda há evoluções a serem trabalhadas. “Hoje, são necessários R$ 40 bilhões para fazer essa transição, que vão ser aplicados em várias linhas tecnológicas, de combustíveis e de eficiência, para que todos os setores industriais possam fazer a modernização. É claro que a gente precisa olhar também de uma forma mais conjunta. Precisa entender que, para descarbonizar, a gente é necessário entender toda a parte de biocombustíveis, expansão de renováveis e também somar a questão do mercado de carbono”, apontou.

Mercado de Carbono e Pecuária Sustentável

O mercado de carbono foi um dos temas macro do encontro da CNI, assim como a pecuária sustentável, ambos discutidos em um painel dedicado ao comércio internacional e descarbonização. Paulo Pianez, diretor de Sustentabilidade e Comunicação da Marfrig, participou do debate, onde introduziu que “criar uma pecuária sustentável é o nosso objetivo”.

Logo na primeira semana da COP 28, a Marfrig anunciou um aporte de R$100 milhões para intensificar seu programa de sustentabilidade, o Marfrig Verde + e alcançar a neutralidade de carbono em suas operações até 2025. A data foi antecipada em 5 anos (veja mais detalhes aqui). Para isso, a empresa deve alcançar a rastreabilidade total do gado, a recuperação florestal e de pastagens e a pecuária regenerativa. “A inclusão também está sendo contemplada pelo Programa Verde +, uma vez que estamos acelerando nosso compromisso de estabelecer uma pecuária de baixo carbono e 100% rastreada. Estamos incluindo pequenos produtores, e os incentivando. Com essas ações, vamos antecipar em 5 anos nossa meta de rastreabilidade total que estava prevista para 2030 e vamos atingir em 2025, em todos os biomas brasileiros”, completou Pianez.

Para o executivo da Marfrig, é essencial que toda a cadeia produtiva no Brasil seja rastreada e esteja em conformidade com as políticas públicas. “Países como Uruguai e Austrália já fizeram adequações e conseguem mostrar a conformidade por meio de rastreabilidade da produção de gado. Por isso, atingem 15 mercados a mais que o Brasil”, disse.

Pianez concluiu que há, portanto, uma grande oportunidade para a agropecuária brasileira ampliar negócios no mundo. “O Brasil tem condições, tem tecnologia e conhecimento para que isso seja devidamente implementado. O país, já hoje, tem condição de ser o maior provedor de proteína animal verde (entre aspas) do planeta. Nenhum outro país tem as condições para que isso aconteça”, detalhou.

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